Ganho de US$ 240 bi em 35 anos

Trinta e cinco anos depois de começar a ser utilizado como combustível no Brasil, com a criação do Programa Nacional Do Álcool, o Proálcool, o etanol trouxe ganhos de US$ 240 bi ao país ao substituir a gasolina no tanque dos veículos.

Os cálculos são do economista Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria, especializada no setor sucroalcooleiro. Segundo ele, esta é a grande conquista da introdução do etanol na matriz energética brasileira como combustível, difícil de mensurar no curto prazo, mas que, no acumulado de 35 anos, revela a dimensão de sua grandeza.

Para Nastari, depois de se consolidar como combustível renovável em praticamente todo o país, o grande desafio do etanol nos próximos anos será reduzir o intervalo entre o desenvolvimento tecnológico já conquistado pelo etanol e sua implementação.

– Existe um potencial muito grande para ser explorado no aumento da produtividade agrícola do etanol e também de sua conversão industrial, e este potencial ainda não foi totalmente explorado – explica.

Produtividade triplicou desde os anos 1970

Em 1975, a produtividade do etanol era de 2,24 mil litros por hectare de cana-de-açúcar plantada. Em 2009, esta produtividade atingiu 6,46 mil litros por hectare na média nacional, segundo cálculos da Datagro.

– No período analisado, praticamente triplicou, crescendo 3,7% ao ano – afirma Nastari, para quem a produtividade pode chegar a 13,9 mil litros por hectare até 2025.

Para o presidente da Açúcar Guarani, Jacyr da Costa Filho, ao lado do aumento da produtividade de etanol por tonelada de cana, o grande desafio a ser obtido nos próximos anos é que o combustível consiga ser adicionado ao diesel com o mesmo sucesso registrado na gasolina.

– Se for encontrado um mecanismo tecnológico que possibilite isso, importantes mercados, principalmente na Europa, seriam abertos para o etanol – afirma Costa.

O presidente da Uniduto, Sérgio Van Kleveren, observa que a competitividade do etanol no futuro vai passar pela questão logística.

– Atualmente, 95% do etanol é transportado por caminhões por via rodoviária. Quando o alcoolduto estiver em operação, o processo será muito mais ágil e eficiente – disse.

Bem antes do Proálcool, o país experimentou a primeira política de uso constante e obrigatório de etanol como aditivo à gasolina em 1939. Sem refinarias, o Brasil enfrentava a escassez de combustíveis em virtude da 2ª Guerra Mundial e o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) criou um plano emergencial para produzir etanol e misturá-lo, em até 2%, à gasolina.

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