Fusões à vista entre sucroalcooleiras

O presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), Marcos Jank, afirmou ontem que a crise econômica iniciada nos Estados Unidos leva um problema de crédito às usinas sucroalcooleiras, assim como para as empresas dos demais setores da economia. Ele considera, no entanto, que os fundamentos do setor continuam positivos, sem influência da crise na demanda por etanol, açúcar e eletricidade. Jank participou do 9º Encontro de Negócios de Energia, promovido pelo Ciesp, em São Paulo.

Com os problemas concentrados apenas no crédito, o executivo acredita que a crise pode provocar uma nova onda de fusões e aquisições no setor. “A crise pode acelerar o processo de consolidação, principalmente se ela for muito profunda e gerar uma necessidade de buscar outra forma de agrupamento para as empresas para se capitalizarem. O difícil é saber em que velocidade isso vai acontecer”, disse. Segundo a Unica, o setor sucroalcooleiro tem, hoje, 200 grupos econômicos ativos, e a tendência é de que haja uma redução nesse número de empresas.

Jank disse que ainda não há projetos de investimento sendo adiados. Ele citou apenas o atraso de novas unidades que estavam previstas para entrar em operação ainda em 2008. Das 32 que deveriam iniciar suas atividades este ano, 29 começaram a operar, segundo ele. No passado, no entanto, algumas previsões chegaram a apontar que 80 novas usinas, aproximadamente, começariam a operar em 2008. Jank aponta motivos anteriores à crise para o atraso, como demora na entrega de equipamentos.

investimentos. O setor sucroalcooleiro planeja investir US$ 33 bilhões até 2012, mas parte desses aportes já foi realizada nos últimos três anos. “Ainda é cedo para fazer uma análise sobre o que vai acontecer com esses investimentos”, afirmou.

Quanto à dificuldade de crédito para exportação, vivenciada por algumas empresas no auge da crise financeira, Jank afirmou que o problema está sendo resolvido rapidamente. “As medidas tomadas recentemente pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda foram muito importantes para, pouco a pouco, trazer recursos para consolidar as exportações”, disse.

Jank afirmou que as vendas externas do biocombustível não ultrapassarão 5 bilhões de litros em 2008, como havia sido previsto pela Única inicialmente. As novas previsões prevêem exportações de 4,2 bilhões de litros nesta safra. “É um número pequeno para uma safra que deve atingir 25 bilhões de litros.”

Jank afirmou que os fundamentos do setor continuam positivos. A demanda por etanol apresentada pelos veículos flex e o interesse em co-geração e alcoolquímica são fatores citados por Jank como garantia de um mercado firme. “Como as nossas exportações representam apenas 15% da nossa produção e são muito voláteis, a crise não afeta a demanda por etanol.

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