Fundo líbio quer investir em irrigação na Bahia

O fundo soberano Libyan Arab Foreign Investments (Lafico), controlado pelo ditador líbio, Muamar Gadafi, tem plano concluído e entregue ao governo brasileiro para explorar terras do sertão baiano com irrigação de áreas para plantio de frutas e cana de açúcar.

O alvo do fundo líbio é a irrigação do Baixio de Irecê, considerado o maior projeto desse tipo no país, incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em parceria com a empresa Codeverde, que tem como sócio majoritário o grupo Odebrecht, os líbios concluíram estudo de viabilidade do empreendimento e aguardam sinal do governo, que licitará a obra.

O diretor superintendente da Codeverde, Júlio Perdigão, disse ao Valor que a parceria, por enquanto, limitou-se à realização do estudo. Ele acha que crise nos países árabes ainda não respingou na parceria brasileira. “Não tivemos nenhuma manifestação de decl ínio [da parceria]. O interesse no projeto se mantém”, afirmou.

Mas ele comentou que “com certeza os fatos recentes deverão ter algum efeito sobre os investimentos líbios em outros países”.

O estudo feito pela parceria custou cerca de R$ 1,5 milhão e foi divido entre a Codeverde e o fundo líbio. Segundo Perdigão, um “memorando vigente” entre as empresas estabelece que, uma vez que o governo faça a licitação para contratar o projeto de irrigação, a Lafico segue na parceria. “Não há planos para excluir ninguém do projeto, mas, se eventualmente eles não se interessarem mais, poderemos buscar outras empresas ou até entrar sozinho na licitação”, disse.

O estudo, encomendado há cerca de dois anos a um consórcio formado de empresas, foi concluído e entregue ao Ministério da Integração Nacional para análise. O plano brasileiro de irrigação, que tem apoio do Banco Mundial, prevê a realização de uma parceria público-privada (PPP) para montar a infraestrutura de irrigaçã o e depois arrendar lotes de terras a pequenos, médios e grandes produtores, como também operar o sistema de fornecimento de água. O objetivo do governo é apoiar a produção de frutas, álcool e cana-de-açúcar na região. O contrato, avaliado em cerca de R$ 1,5 bilhão, terá duração de 35 anos, com produção para consumo interno e exportação.

Segundo Clementino de Souza Coelho, diretor da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), o governo já fez modificações e encaminhou o plano ao Banco Mundial. “Pretendemos fazer a licitação entre setembro e novembro.” Segundo ele, “a licitação será aberta, qualquer companhia interessada, inclusive eles [Codeverde e Lafico] poderão participar.”

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