Fotossíntese, a energia do futuro

A energia do futuro será obtida pela fotossíntese, mecanismo de produção vegetal ativado pela luz solar, que será a grande riqueza de países tropicais, como o Brasil, que dispõem de terra e água em abundância. Essa é a convicção de José Bautista Vidal, o engenheiro e físico que dirigiu a implementação no Brasil do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), criado para enfrentar a crise do petróleo.

“O sol, um eterno gerador de fusão nuclear, oferece ao Brasil energia equivalente a 4,500 milhões de megawatts”, diz Vidal “A Terra consome dois terços em forma de calor ou evaporação de água, mas um terço continua disponível. Esse terço corresponde a cerca de 22 mil vezes a capacidade instalada de geração elétrica no Brasil”, explica Vidal. O especialista acrescenta que se trata de uma energia cuja capacitação direta seria muito cara, mas a vegetação a armazena em forma de açúcares, amido, azeites ou celulose. Disso se encarrega a natureza, especificamente a fotossíntese, mecanismo das plantas verdes que transforma o dióxido de carbono e a água em hidratos de carbono e oxigênio, mediante o aproveitamento da energia do sol. Essa a vantagem dos países tropicais, que recebem intensa radiação solar e que dispõem de terras e água em abundância.

O Brasil, além de reunir tais condições naturais, já acumulou tecnologia e conhecimentos em energia de fonte vegetal mais que qualquer outro, ao desenvolver o Proálcool. Em uma parte da década de 80, mais de 90% dos automóveis novos produzidos no país eram movidos exclusivamente a álcool. Desde então, toda a gasolina local leva uma adição de álcool, atualmente fixada em 22%. Uma grande quantidade de azeites vegetais foi também pesquisada como possíveis substitutos do diesel, já que o álcool não se mostrou eficiente para veículos mais pesados, como ônibus e caminhões. “Identificamos cerca de 180 azeites prometedores, derivados do dendê, da soja, do girassol, do rícino e de diversos cocos de palmeiras, tudo formando uma riqueza espetacular”, destaca Vidal.

Diesel

Apesar disso, o programa de substituição de derivados de petróleo no Brasil não conseguiu impulsionar o uso de um azeite vegetal em substituição ao diesel, ainda que alguns tenham sido submetidos a prolongadas provas em ônibus, comprovando-se mais eficácia que o derivado de petróleo. Ademais, o Proálcool está em agonia desde fins dos anos 80, devido à suspensão, por parte do governo, dos créditos aos pequenos produtores de cana. A conseqüente escassez de álcool, segundo o especialista, destruiu a credibilidade do programa. Vidal sustenta que a recuperação do Proálcool só depende de vontade política, o mesmo acontecendo com o aproveitamento do imenso potencial energético dos azeites vegetais, do bagaço da cana-de-açúcar e da biomassa em geral. “O problema é a submissão do governo brasileiro aos interesses vinculados ao petróleo”, ressalta. O especialista diz que foi uma “estupidez” a decisão de importar gás natural da Bolívia, pois o preço está em constante flutuação, já que é atado ao petróleo e ao dólar, e causa dependência externa.

Solução ambiental

Argemiro Pertence, porta-voz da Associação de Engenheiros da Petrobras, comenta que a biomassa conta, a seu favor, com o fato de a humanidade ter de reduzir a queima de combustíveis fósseis para o evitar o desastre do aquecimento global. “O álcool é uma solução ambiental, porque a contaminação que provoca é menor e compensada pela absorção de gases que provocam o chamado efeito estufa pela cana-de-açúcar durante o seu crescimento”. Pertence adverte, todavia, que o álcool ainda não pode competir com a gasolina. E dá uma exemplo: a cana empobrece solos que deveriam produzir alimentos, os empresários açucareiros são grandes proprietários “conservadores e sem compromissos com a sociedade”, e são cruéis com os seus trabalhadores”. Além disso, o álcool só se mostrou eficiente em motores de automóveis, que são “dissipadores, geram muito calor e pouco trabalho”, e que só interessam às grandes empresas petrolíferas e à indústria automotiva”.

Mario Osava escreve na revista Ambiente Global

Fotossíntese, a energia do futuro

A energia do futuro será obtida pela fotossíntese, mecanismo de produção vegetal ativado pela luz solar, que será a grande riqueza de países tropicais, como o Brasil, que dispõem de terra e água em abundância. Essa é a convicção de José Bautista Vidal, o engenheiro e físico que dirigiu a implementação no Brasil do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), criado para enfrentar a crise do petróleo.

“O sol, um eterno gerador de fusão nuclear, oferece ao Brasil energia equivalente a 4,500 milhões de megawatts”, diz Vidal “A Terra consome dois terços em forma de calor ou evaporação de água, mas um terço continua disponível. Esse terço corresponde a cerca de 22 mil vezes a capacidade instalada de geração elétrica no Brasil”, explica Vidal. O especialista acrescenta que se trata de uma energia cuja capacitação direta seria muito cara, mas a vegetação a armazena em forma de açúcares, amido, azeites ou celulose. Disso se encarrega a natureza, especificamente a fotossíntese, mecanismo das plantas verdes que transforma o dióxido de carbono e a água em hidratos de carbono e oxigênio, mediante o aproveitamento da energia do sol. Essa a vantagem dos países tropicais, que recebem intensa radiação solar e que dispõem de terras e água em abundância.

O Brasil, além de reunir tais condições naturais, já acumulou tecnologia e conhecimentos em energia de fonte vegetal mais que qualquer outro, ao desenvolver o Proálcool. Em uma parte da década de 80, mais de 90% dos automóveis novos produzidos no país eram movidos exclusivamente a álcool. Desde então, toda a gasolina local leva uma adição de álcool, atualmente fixada em 22%. Uma grande quantidade de azeites vegetais foi também pesquisada como possíveis substitutos do diesel, já que o álcool não se mostrou eficiente para veículos mais pesados, como ônibus e caminhões. “Identificamos cerca de 180 azeites prometedores, derivados do dendê, da soja, do girassol, do rícino e de diversos cocos de palmeiras, tudo formando uma riqueza espetacular”, destaca Vidal.

Diesel

Apesar disso, o programa de substituição de derivados de petróleo no Brasil não conseguiu impulsionar o uso de um azeite vegetal em substituição ao diesel, ainda que alguns tenham sido submetidos a prolongadas provas em ônibus, comprovando-se mais eficácia que o derivado de petróleo. Ademais, o Proálcool está em agonia desde fins dos anos 80, devido à suspensão, por parte do governo, dos créditos aos pequenos produtores de cana. A conseqüente escassez de álcool, segundo o especialista, destruiu a credibilidade do programa. Vidal sustenta que a recuperação do Proálcool só depende de vontade política, o mesmo acontecendo com o aproveitamento do imenso potencial energético dos azeites vegetais, do bagaço da cana-de-açúcar e da biomassa em geral. “O problema é a submissão do governo brasileiro aos interesses vinculados ao petróleo”, ressalta. O especialista diz que foi uma “estupidez” a decisão de importar gás natural da Bolívia, pois o preço está em constante flutuação, já que é atado ao petróleo e ao dólar, e causa dependência externa.

Solução ambiental

Argemiro Pertence, porta-voz da Associação de Engenheiros da Petrobras, comenta que a biomassa conta, a seu favor, com o fato de a humanidade ter de reduzir a queima de combustíveis fósseis para o evitar o desastre do aquecimento global. “O álcool é uma solução ambiental, porque a contaminação que provoca é menor e compensada pela absorção de gases que provocam o chamado efeito estufa pela cana-de-açúcar durante o seu crescimento”. Pertence adverte, todavia, que o álcool ainda não pode competir com a gasolina. E dá uma exemplo: a cana empobrece solos que deveriam produzir alimentos, os empresários açucareiros são grandes proprietários “conservadores e sem compromissos com a sociedade”, e são cruéis com os seus trabalhadores”. Além disso, o álcool só se mostrou eficiente em motores de automóveis, que são “dissipadores, geram muito calor e pouco trabalho”, e que só interessam às grandes empresas petrolíferas e à indústria automotiva”.

Mario Osava escreve na revista Ambiente Global

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