Financiamento com juro pós-fixado aumenta riscos para usinas

Marchesan, da Abimaq: ‘briga’ pela manutenção dos juros pré-fixados

Os empresários do setor sucroenergético também serão afetados diretamente caso o Governo federal modifique a incidência de juros sobre as linhas de crédito para compra de bens e serviços.

As linhas hoje têm juros pré-fixados, mas trabalha-se dentro de instituições federais para que os juros sejam atrelados à Selic (taxa básica de juros). Se isso ocorrer, a taxa passa a ser pós-fixada.

“Temos feito gestões junto ao Governo para que não haja taxa pós-fixada nos financiamentos agrícolas”, disse na manhã de quarta-feira (12/04), em Ribeirão Preto (SP), o empresário João Carlos Marchesan, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

A pós-fixação, por meio do emprego da Selic nas linhas de crédito, seria um risco a mais para os empresários. Isso porque a Selic hoje pode valer 11,25% ao ano – como está previsto para a partir desta quarta-feira (12/04) – mas será que a taxa continuará em queda no longo prazo?

“A conquista dos juros pré-fixados é tradição do agronegócio e não pode mudar”, afirmou Francisco Maturro, vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Ele e Marchesan participaram de entrevista coletiva sobre a 24a. Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), a ser realizada entre os dia 1 a 5 de maio próximo em Ribeirão Preto.

Mais repasse

Segundo Marchesan, o Governo deverá anunciar durante a Agrishow repasse de mais R$ 1,5 bilhão para o Programa de Modernização da Frota (Moderfrota), que atualmente conta com R$ 6 bilhões.

A maioria desses recursos já foi comprometida, segundo Maturro, principalmente pelos produtores rurais com faturamento anual de até R$ 90 milhões, cuja taxa anual no Programa é de 8%.

Para quem fatura acima de R$ 90 milhões, como é o caso de companhia sucroenergéticas, a taxa anual do Moderfrota está hoje em 10% ao ano.

 

 

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