Exportação de etanol pode crescer 258,3% até 2016, segundo a Unica

O incremento no volume de exportação de etanol brasileiro depende mais de acordos comerciais do que da capacidade de produção. Com uma indústria preparada para adaptar-se aos novos volumes de produção, o Brasil tem perspectiva de aumentar 258,3% a exportação de etanol até 2016. Segundo dados da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) até 2016 o Brasil produzirá 12,9 bilhões de litros de etanol para o mercado externo. A produção atual é de 3,6 bilhões de litros. E nem o pré-sal e todo o foco atual em torno de energias como petróleo e gás irão ofuscar a grandiosidade do país como produtor de energia renovável e alternativa.

– O mercado é crescente e está em franco desenvolvimento. Sem esquecer que a maior demanda por etanol vem dos Estados Unidos. O Brasil investe há bastante tempo nesta energia renovável e podemos nos tornar líderes na produção e exportação de novas energias. Precisamos agora fazer um trabalho de conscientização das comunidades econômicas internacionais de que o etanol produzido no país não é plantado na Amazônia e não é responsável nem por desmatamento e tampouco pela escassez de alimentos no mundo – explicou Alfred Szwarc, CEO (Chief Executive Officer) da Unica.

Dono da maior disponibilidade de terra para plantio do planeta, 87% das terras brasileiras destinadas à produção de cana-de-açúcar estão concentradas nos estados de São Paulo, Minas, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás. Os outros 13% das usinas produtoras de cana ficam em estados da Região Nordeste. Esta distribuição geográfica desmente a pressuposição corrente, especialmente na Europa, de que o Brasil desmata suas florestas para a produção de etanol.

Outro ponto levantado por especialistas em debate na Rio Oil & Gas outro entrave para a exportação de etanol são as sobretaxas cobradas pelos Estados Unidos, em função do mercado subsidiado naquela região. O etanol produzido nos Estados Unidos é proveniente do milho e existe uma forte oposição política dos produtores desta commodity para evitar a abertura do mercado para importações.

– Em evento recente que participei nos Estados Unidos, ouvi o presidente da Exxon (multinacional de petróleo americana) falar claramente que são os cerca de 80 congressistas ligados ao setor de milho que impedem a comercialização de etanol do Brasil. Esse subsídio é mais uma questão política, não se justifica mais por outro motivo – comentou José Luiz Orlandi, diretor do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).

O certo é que existe franco espaço para a expansão da demanda de etanol proveniente da cana-de-açúcar. Para se ter uma idéia, a destinação da produção de cana para a fabricação de etanol cresce 13,2% ao ano, enquanto para a fabricação de açúcar o crescimento é de 0,87%. As perspectivas podem aumentar ainda mais com a estabilização do combustível tipo E10, que é a mistura de 10% de álcool com 90% de gasolina, que já é compatível com a maioria dos motores da frota de todo planeta.

– A produção de etanol de milho nos Estados Unidos não acompanha o aumento da demanda. Além disso, os reguladores do mercado americano agrícola estimam uma demanda de 136 bilhões de litros de etanol até 2022, mas, ao mesmo tempo, delimitou a produção de etanol de milho para, no máximo, 57 bilhões. E os outros 79? Vão exportar de quem? – indagou Plínio Nastari, presidente da Datagaro.

Para Rogério Manso, da Brenco, o Brasil vive um momento de grande oportunidade de aproveitar sua capacidade ampla de matriz energética.

– O Brasil tem tudo para assumir o papel de exportador de todo o tipo de energia. É claro que o primeiro foco deve ser o abastecimento interno. Mas conciliar é possível. A Agrenco, diferente de outros players (produtores) do setor tem como meta destinar 67% da produção para exportação e 33% para a demanda interna – disse Rogério Manso, vice-presidente da Brenco.

Sobre o risco de o Brasil mais uma vez perder o foco na produção de álcool combustível, talvez ofuscada pelo entusiasmo com a perspectiva de aumento estrondoso de petróleo depois das descobertas do pré-sal, especialistas lembraram que, pelo menos no que tange à exportação, o Brasil ainda esbarra em questões de refino de derivados.

– A gasolina produzida hoje no Brasil não é a que o mundo quer. Talvez tenhamos que discutir mais a matriz energética do país, discutir para onde vai o Brasil. Ressalto que a produção de etanol é responsável pela redução de 366 mil barris de gasolina por dia. O Brasil continua e vai ser cada vez mais referência de etanol para o mundo – completou Plínio Nastari, da Datagro.

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