A expansão do etanol de milho depende do RenovaBio. Saiba o porquê

A expansão do etanol feito de milho no Brasil depende da Política Nacional de Biocombustíveis, legislação que criou o RenovaBio. A avaliação é de João Paulo Botelho, analista de mercado da INTL FCStone em entrevista ao JornalCana.

“A tendência é de que o etanol de milho siga em expansão no Brasil, mas o RenovaBio tanto poderá ser um acelerador como um freio desse etanol”, afirma o especialista durante a entrevista.

JornalCana apurou que seis novas plantas produtoras de etanol de milho estão em fase de projeto ou de implantação.

Estão em fase de projeto as futuras unidades de etanol feito do grão da CerradinhoBio em Chapadão do Céu (GO); da Alcooad, ligada à Cooperativa Agroindustrial Deciolândia, em Nova Mauritânia (MT); além da Santa Clara Álcool de Cereais, com construção prevista a partir deste ano em Vera (MT), município vizinho de Sorriso.

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A Usinas Itamarati também teria projeto de implantar unidade de etanol de milho em Nova Olímpia (MT).

Estão em fase de obras a unidade da cooperativa Coprodia, ao lado de sua usina de etanol no município de Campo Novo do Parecis (MT) e a do grupo paraguaio Inpasa em Sinop (MT).

Mas por que a expansão do etanol de milho no Brasil depende do RenovaBio? Confira a seguir a entrevista do analista João Paulo Botelho, da INTL FCStone, ao JornalCana.

Qual é o futuro do etanol de milho no Brasil?

João Paulo Botelho – Vai depender de como o Governo irá regulamentar o RenovaBio [criado por lei federal que cria a Política Nacional de Biocombustíveis].

O milho tem importância semelhante à cana-de-açúcar no sequestro de gás carbônico (CO2) [que garante as externalidades do etanol de cana e é um dos pilares do RenovaBio?]

João Paulo Botelho – O milho tem sequestro de CO2, como a maioria das plantações. Ele não sequestra tanto quanto a cana, mas ainda assim capta CO2. A questão do etanol de milho no RenovaBio é como serão calculadas as questões técnicas e industriais, as emissões de carbono em relação à área industrial, à colheita e ao plantio. A questão é como será feita a relação da nota de descarbonização do milho e da cana-de-açúcar no RenovaBio. Será importante para saber o futuro do etanol de milho no Brasil.

Isso tudo está dentro das regulamentações do RenovaBio?  

Botelho, analista da INTL FCStone: tendências para o etanol de milho no Brasil (Foto: Divulgação)

João Paulo Botelho – Exatamente. Teremos os primeiros exemplos de uso da Renovacalc, calculadora que avaliará as notas de cada usina. Essas notas irão depender muito da situação de cada usina. Conforme as notas serão atribuídas para usinas de cana e de milho teremos uma ideia de como o governo avalia estas duas matérias-primas.

Fale mais a respeito, por favor. 

João Paulo Botelho – Tenho contato com empresas dos Estados Unidos e assim que informei que nosso programa [RenovaBio] será semelhante ao aplicado na Califórnia, disseram que então [o etanol de milho] acabou. Isso porque na Califórnia o etanol de milho é muito penalizado.

Isso deve ocorrer aqui no Brasil? 

João Paulo Botelho – A partir de informações que temos até o momento [12/01/2018] não é isso que irá ocorrer. Ou seja, o etanol de milho brasileiro terá valorização positiva.

Então o futuro do etanol de milho no Brasil dependerá do RenovaBio?

João Paulo Botelho – Sim. Mas se se confirmar que o etanol de milho terá valorização positiva, será muito útil para o setor. A tendência é de que o etanol de milho siga em expansão. Mas o RenovaBio tanto poderá ser um acelerador como um freio desse etanol.

Foto: Divugalção/Sistema Faep

 

Etanol de milho cresce desde 2014 no Brasil

Segundo o analista da INTL FCStone, o etanol de milho ganha espaço no Brasil desde 2014 em meio a um período no qual a cana-de-açúcar vive fase de estagnação.

Ou seja, enquanto a cana tem estagnação, o milho expande também por conta do aumento de área plantada na região Centro-Oeste do país.

“A expansão do milho ocorre em uma região do Brasil que não está entre as principais regiões consumidoras do grão, que são o Sul e o Sudeste”, diz João Paulo Botelho. “Com isso, o milho do Centro-Oeste tem um nível de preços bem mais baixo ante outras regiões nas quais o cultivo do milho é tradicional.”

O cultivo do milho no Centro-Oeste também tem custos mais baixos na comparação com as regiões tradicionais, como o Sul e o Sudeste. E avançou em áreas da principal cultura do Centro-Oeste, que é a soja. Com produção maior, o grão registrou baixa de preço em 2017, o que favoreceu o emprego dele como matéria-prima de etanol.

E o que vai ocorrer com a produção de milho em 2018?

Botelho: “por mais que vejo um temor em 2018, por conta da redução de área plantada co milho, prevemos [na INTL FCStone] uma produção de 63 milhões de toneladas na safrinha [cultivo entre janeiro a abril], contra 67 milhões de toneladas na safra passada. Essa redução se deve em parte a uma produtividade menor e menos área plantada. Mas os impactos [baixistas] nos preços não devem ser tão fortes porque o Brasil está em um nível confortável de estoques do grão, o que deve garantir a oferta ao longo do ano.”

Explica: “mas em 2016, quando se teve preço do milho bem mais alto que o atual, ainda assim a produção de etanol a partir do grão cresceu 66%.”

Há um preço médio da saca de milho para viabilizar seu emprego como matéria-prima do etanol? R$ 35, R$ 40 por saca?

Botelho: “é difícil falar porque irá variar conforme a região. No Mato Grosso o preço do milho é mais baixo, mas o preço de venda do etanol também é menor. Já em Goiás ocorre o contrário. O mercado do etanol de milho depende muito do valor da compra da matéria-prima e do valor da venda do etanol [produzido a partir do grão].”

Produção de etanol de milho acumula 353 milhões de litros

A produção de etanol de milho até 16/01/2018 acumula 353 milhões de litros. A informação é do último levantamento divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Confira o levantamento da Unica com informações quinzenais e acumuladas da produção de milho desde 16/04/2017.

Fonte: Unica

 

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