ETH mantém aposta na entressafra

Com uma moagem de 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e uma produção de 850 milhões de litros de etanol, a ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, deve manter a estratégia de carregar boa parte de seus estoques de etanol para vender na entressafra, que deve ser mais longa nesta temporada. Apesar dos preços mais equilibrados do biocombustível neste ano – estão neste momento cerca de 20% mais altos do que em igual período do ano passado – , a empresa aposta que há margens para preços mais atrativos entre o fim deste ano e os primeiros meses de 2011.

José Carlos Grubisich, diretor presidente da companhia, diz que a ETH não está vendendo nada no mercado spot. Apenas cumprindo negócios já firmados. “Temos contratos de longo prazo com distribuidores de combustíveis e indústrias, como a Braskem. O que está sendo produzido segue apenas para cumpri-los e o volume adicional, para estoque”, explica Grubisich.

Ele informa que em torno de 30% da produção total, ou seja, cerca de 250 milhões de litros, serão destinados para cumprimento de contratos. “Esses volumes acordados no longo prazo continuam crescendo”, afirma.

No começo do ano, diz Grubisich, a ETH já previa que o etanol estaria mais valorizado, pois as cotações altas do açúcar deram sustentação para que a safra fosse mais açucareira. “Assim, nossa estimativa de faturamento não mudou”, diz o executivo.

Em abril, quando foi anunciado o “closing” com a Brenco, a ETH tinha previsão de obter nesta safra receita entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão. Esse faturamento deve atingir R$ 4 bilhões em 2012, quando a companhia pretende estar moendo 40 milhões de toneladas de cana, produzindo 3 bilhões de litros de etanol e 2,7 mil gigawatts-hora de energia elétrica com bagaço.

A produção da ETH Bioenergia desta safra contará já com a operação da usina Morro Vermelho que oficialmente foi inaugurada hoje, em Mineiros, Goiás, e que produzirá etanol e energia elétrica. A unidade é a primeira da antiga Brenco a entrar em operação e recebeu investimentos de R$ 1 bilhão nas áreas agrícola e industrial. É a primeira do chamado “polo Araguaia” e tem capacidade instalada para processar 3,8 milhões de toneladas de cana. Em novembro de 2010, entrará em operação outra usina, a de Alto Taquari (MT), com mesma capacidade. Até 2012, outras duas serão inauguradas, elevando a capacidade de processamento de cana desse polo para 15,2 milhões de toneladas por safra.

Até lá, a empresa terá investido R$ 3,5 bilhões, o que lhe dará um valor de mercado estimado em R$ 7,3 milhões, considerando todas as nove usinas do grupo.

“O processo de integração das equipes e projetos vem sendo intenso. Estendemos o nosso modelo de negócio descentralizado e colocamos a competência da ETH para executar as usinas no prazo e nos custos previstos”, diz.

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