Etanol e açúcar: México quer ampliar relações com Brasil

Os produtores mexicanos de cana-de-açúcar querem ampliar seu relacionamento com o setor sucroenergético brasileiro, firmando parcerias para adquirir maior conhecimento sobre as tecnologias de produção desenvolvidas pelo Brasil para a produção de etanol e açúcar. Esse objetivo foi transmitido durante visita à sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) em São Paulo na quarta-feira (16/02) pelo recém-empossado cônsul geral do México em São Paulo, José Gerardo Traslosheros.

Em sua bagagem, o diplomata trouxe muitas perguntas e a perspectiva de investimentos conjuntos entre empresas dos dois países. “O setor sucroenergético é estratégico, um dos principais setores de nosso interesse. As tecnologias para o aproveitamento da cana no Brasil são impressionantes, por isso resolvemos visitar a UNICA para trabalhar em conjunto com a Agência de Promoção de Investimentos e Comercio do México (ProMéx ico), iniciarmos a aproximação entre as nossas indústrias,” afirmou Traslosheros, que estava acompanhado pelo cônsul para assuntos consulares e econômicos, Fernando de la Torre, e o conselheiro da ProMéxico, Juan Manuel Pinto Ribeiro. Segundo o cônsul, “é importante pensarmos em investimentos conjuntos entre empresas brasileiras e mexicanas, para produzir etanol também no México, que já produz cana.”

Além da meta de ampliar a produção mexicana de etanol combustível, os mexicanos examinam a ideia de estabelecer um mercado de carros flex naquele país, embora não existam ainda políticas públicas que viabilizem a prática. Diversos modelos de automóveis comercializados no Brasil com tecnologia flex embarcada, como os modelos Sentra e Tiida, da Nissan, já são produzidos no Mexico para o mercado brasileiro.

Relação estratégica

Esta não é a primeira vez que o governo do México demonstra interesse pelas atividades brasileiras no setor sucroenergético. Em agosto de 2009, o presidente mexicano Felipe Calderón, acompanhado por uma delegação de 17 integrantes, reuniu-se em São Paulo com o presidente da UNICA, para avaliar formas de cooperação para intensificar a produção mexicana de etanol. Na ocasião, Calderón convidou a UNICA para coordenar uma missão ao México, composta por empresários e técnicos brasileiros, o que ocorreu em novembro de 2009.

Neste último encontro, a delegação mexicana foi recebida pelo diretor executivo da UNICA, Eduardo Leão de Sousa, que apresentou a evolução do programa de etanol no Brasil e enfatizou a importância das políticas públicas em qualquer programa bem sucedido no mundo. Dentre elas, destacam-se a obrigatoriedade da mistura dos biocombustíveis aos combustíveis fósseis, apoio aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em infraestrutura, além de políticas tributárias que reconheçam os benefícios do etanol sob os aspectos socioeconômicos, ambientais e de saúde pública.

“Seria importante que o Mé xico criasse um ambiente regulatório que garantisse segurança aos investidores para a produção de um combustível renovável a partir da cana. Além das condições agroclimáticas muito positivas, a proximidade geográfica com os EUA e o Acordo de Livre Comércio entre os dois países e o Canadá, o NAFTA, representam um importante diferencial competitivo para os produtores mexicanos,” ressalta Eduardo Sousa.

Sustentabilidade

Preocupações com a sustentabilidade e as emissões de gases causadores de efeito estufa (GEEs) também foram citadas durante a visita dos representantes mexicanos. “O Brasil tem programas de ponta no mundo e penso que são muitas as parcerias que podem ser feitas com o México,” explicou o cônsul em referência a soluções ambientais adotadas pelo setor sucroenergético brasileiro e apresentadas pela UNICA.

O etanol de cana contribui no combate às mudanças climáticas, reduzindo sensivelmente as emissões de gases causadores do efeito estufa (GEEs) na comp aração com os combustíveis fósseis. Em fevereiro de 2010, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency, EPA) classificou oficialmente o etanol brasileiro de cana-de-açúcar como um “biocombustível avançado,” capaz de reduzir as emissões de GEEs em até 90% comparado com a gasolina.

UNICA – União da Indústria de Cana-de-açúcar..

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