Etanol de milho está 50% mais caro que gasolina nos EUA

Diferentemente do que ocorre no Brasil, os preços da gasolina nos Estados Unidos (EUA) estão em queda vertiginosa e mais competitivos do que os do etanol de milho. Ontem, o galão foi cotado a US$ 1,642 na Bolsa de Chicago (CBOT), 50% mais alto que o de gasolina, que fechou em US$ 1,09 na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Para analistas, a baixa atratividade do biocombustível no mercado americano demandará ao país a importação de etanol a preços mais baixos para cumprimento de suas metas de mistura obrigatória. “Mas aqui no Brasil os preços estão firmes com tendência de se manterem fortalecidos na entressafra. O mercado está em dúvida sobre como essa equação será resolvida nos Estados Unidos e como afetará o Brasil”, explica Mário Silveira, analista de gerenciamento de risco da FCSTone.

Para 2009, os americanos têm meta de consumir 10,5 bilhões de galões de etanol, 16% mais que o definido para este ano.

Além da perda de competitividade do biocombustível em relação à gasolina – que se traduz em preços mais baixos à industria – grande parte das empresas de etanol nos americanas está com prejuízos ou já requereu recuperação judicial por terem comprado a matéria-prima (milho) a preços mais elevados dos que os atuais esperando fechar as contas, uma vez que tratava-se de momento em que os preços do etanol estavam mais atrativos.

“A mistura de etanol nos Estados Unidos está inviável inclusive com o incentivo que o governo concede ao misturador de 0,51 centavos de dólar por galão”, explica Silveira.

Desde o começo de outubro, a cotação do galão de etanol recuou 12%, de US$ 1,86 para US$ 1,64 na CBOT. Os preços da gasolina, neste mesmo período, caíram 58%, de US$ 2,59 para US$ 1,09. Desde o começo de novembro, os preços do etanol caíram 5,7% e os da gasolina, 19,8%.

A capacidade instalada e prevista para entrar em operação no ano que vem nos Estados Unidos somam 13,5 bilhões de galões. “Mas o que está sendo utilizado desta capacidade é que esta reduzindo-se por causa dessa crise”, explica Silveira.

Como o mercado brasileiro irá se posicionar diante desse cenário ainda é incerto. Miguel Biegai, da Safras & Mercado, afirma que, por enquanto, o ritmo de fechamento de contratos de exportação para a próxima safra ainda está muito lento.

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