Etanol ainda é o vilão, segundo empresa

A Nestlé acredita que está começando uma fase de estabilidade de preços das matérias-primas, mas continua acusando a produção de etanol como um dos fatores de pressão para a alta dos custos de alimentos.

“A tendência de alta registrada até recentemente nas commodities não será repetida”, acredita o tesoureiro chefe da companhia, James Singh, enquanto o vice-presidente de operações, José Lopez, atribui a produção de biocombustível como responsável por 30% do aumento de preços de alimentos.

A Nestlé gastou US$ 9 bilhões com compra de commodities em 2007, sendo U$ 4,2 bilhões com café e cacau e U$ 1 bilhão com milho, entre outros.

Mas José Lopez diz que a empresa é contra o biocombustível por uma “questão de princípio”, uma vez que se o preço da matéria-prima aumenta há repasse de custo ao consumidor. Ele argumenta que o problema é com o uso da terra agrícola e excessivo uso de agua, por exemplo, e alveja especialmente a produção subsidiada de etanol a partir do milho, nos EUA. Mas diz que mesmo o etanol de cana-de-açúcar do Brasil, que reconhece como o de melhor desempenho ambiental, gasta 500 litros de água para produzir um litro do biocombustível.

A Nestlé é uma das grandes empresas que pressionam a União Européia a rever seu projeto de ampliação do uso de biocombustível no transporte terrestre, alegando riscos à competitividade da indústria européia.(AM)

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