Estudos com cana-de-açúcar contribuem com a produção de etanol no RS

Estabelecer alternativas que incentivem a produção de etanol, especialmente oriundo da cana-de-açúcar, no Rio Grande do Sul vem sendo uma das prioridades da Embrapa Clima Temperado e do Sistema Fiergs/IEL. Desde o final de 2006, ambas as instituições deram início a uma série de articulações estratégicas em prol do desenvolvimento do etanol no Estado, que culminou na aprovação de um projeto de pesquisa e desenvolvimento com investimentos da ordem de três milhões de reais liberados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

“Desenvolvemos o projeto em parceria com o IEL e apresentamos a sugestão para o presidente da Embrapa, Silvio Crestana, que ficou muito satisfeito com a proposta de trabalho. Posteriormente, participamos de uma reunião em Brasília, que contou com a presença da Ministra da Casa Civil, Dilma Vana Rousseff, quando foi firmado um protocolo de intenções em prol dos objetivos do projeto. No ano passado, a proposta de pesquisa foi submetida ao MCT, incluindo novos parceiros, dentre eles: Emater, Fepagro, Universidades, associações e cooperativas de produtores do RS” explicou o

Chefe-Geral da Embrapa Clima Temperado, Waldyr Stumpf Junior. Segundo ele, a presença da Ministra Dilma, que irá proferir palestra sobre Políticas Públicas para Biocombustíveis, na quinta (6/11), ás 16hs, na Fiergs, como parte da programação do Simpósio Estadual de Agroenergia e da 2º Reunião Técnica Anual de Agroenergia-RS, nesse momento em que o projeto foi aprovado, reforça o compromisso do Governo Federal com o Rio Grande do Sul. O evento é promovido Embrapa Clima Temperado, Emater/RS-Ascar, Fepagro e Sistema Fiergs.

O projeto intitulado “Desenvolvimento da cana-de-açúcar para o RS visando à produção de etanol” também deverá incentivar a produção de leite como resultado de uma maior disponibilização de alimentos para o gado leiteiro proveniente da produção da cana. Além disso, a produção de cana-de-açúcar deverá estimular a diversificação da matriz produtiva regional criando condições para o aumento da geração de emprego e renda no meio rural.

Ministros encerram Simpósio de Agroenergia

Mais de 200 pessoas participam, em Porto Alegre, do Simpósio Estadual de Agroenergia e 2° Reunião Técnica Anual de Agroenergia, promovido Embrapa Clima Temperado, Emater/RS-Ascar, Fepagro e Sistema Fiergs, que sedia o evento. O objetivo é discutir os aspectos tecnológicos, industriais, mercadológicos e políticos relacionados à cadeia de biocombustíveis no Rio Grande do Sul, enfocando produtividade e sustentabilidade. Nesta quinta-feira (6/11), o simpósio encerra com a participação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, do diretor de Desenvolvimento Agrícola e de Suprimento da Petrobrás Biocombustíveis, Miguel Rosseto, além de pesquisadores da área.

Nesta quarta-feira (5/11), os palestrantes apresentaram alternativas sustentáveis de produção energética, como microalgas, agroflorestas, biogás, polímeros verdes e etanol lignocelulósico. Pela manhã, o pesquisador da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg), Paulo Abreu, falou sobre o projeto Potencial de Microalgas para a Produção de Biocombustíveis.

As microalgas podem ser utilizadas para a fabricação de fármacos, corantes, na indústria alimentar e como biocombustível. De acordo com Abreu, os pesquisadores estão avaliando as espécies mais resistentes e testando escalonamentos e custos de produção. O cultivo em larga-escala já é feito em tanques (Taiwan), em viveiros (Austrália) e raceways (Califórnia). Um litro de biodiesel produzido através desse processo custa cerca de três dólares, pois a produção ainda é incipiente. Segundo o especialista, devem ser feitos estudos de bioprospecção, escalonamento da produção, análise de custos, além do desenvolvimento de tecnologias mais acessíveis.

A utilização de florestas como fonte de agroenergia foi tratada pelo pesquisador da Embrapa Florestas, Antonio Francisco Bellote. O projeto busca viabilizar alternativas ao uso de fontes energéticas tradicionais não renováveis, por meio do uso da biomassa de plantações florestais, contribuindo para a ampliação da matriz energética nacional de forma sustentável. A iniciativa abrange quatro projetos, envolvendo 130 pesquisadores e 70 instituições de pesquisa. Bellote apontou como metas a seleção de microorganismos altamente eficientes na produção de enzimas, capazes de sobreviver em variadas condições ambientais; aumentar a produtividade dos extratos enzimáticos; tornar o etanol celulósico competitivo em relação à gasolina, o etanol de cana-de-açúcar e de amido. Um dos desafios, apontado pelo especialista, é reduzir o custo do uso das enzimas celulolíticas na produção do etanol lignocelósico, utilizando processos e tecnologias bioquímicas eficientes.

Sobre Perspectivas para a produção do Etanol Lignocelulósico, o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Gildo Almeida da Silva, defendeu a utilização de matéria-prima, “geralmente considerada resíduo ou rejeito”, que pode vir de todas as fontes orgânicas, “até mesmo do bagaço da cana, do tronco do eucalipto, da grama, da folha”. Ao observar que a madeira é um conjunto de glicose, de açúcar, Silva explica que “ao fazer matéria orgânica fermenticível presa na madeira se torna possível produzir álcool”, já que a fermentação do etanol ocorre onde há açúcar e organismos vivos.

CERTIFICAÇÃO VERDE

O primeiro polietileno verde certificado e produzido no Brasil foi apresentado pela gerente de Contas da Braskem, Leonora Novaes. Ela explica que o polietileno verde utiliza o etanol da cana-de-açúcar ao invés de petróleo. Como vantagens, cita a captura e o sequestro de carbono, “sendo uma solução e uma alternativa aos países que têm como meta a redução do efeito estufa”, observa. O polietileno é um material reciclável e reciclado. “Ele também tem que ser coletado e passa pelas mesmas etapas de um plástico comum”, diz, ao afirmar que “não é biodegradável”.

Leonora destaca que a Braskem anunciou parceria na Ásia, em especial com o Japão, para onde exportará até 50 mil toneladas de polietileno. “Com a Toyota, o acordo é de envio de 200 mil toneladas ao ano”, anuncia a gerente, ao destacar a parceria lançada também com a Estrela, em que o material será empregado na produção de brinquedos. O polietileno também pode ser utilizado em embalagens para alimentos, produtos de limpeza e de higiene pessoal, além de atender o setor automotivo.

Para atender a uma demanda crescente de polímeros verdes, Leonora reafirma o apoio de iniciativas de produção local de tanol. “Hoje importamos 100% do mercado de São Paulo, mas esperamos que nos próximos anos o Rio Grande do Sul possa ser nosso fornecedor”.

Sobre a participação gaúcha na produção de etanol e de biocombustíveis, o representante da Secretario de Ciência e Tecnologia do Estado, Paulo Renato Souza, apresentou o Projeto Estruturante de Agroenergia do RS, enfocando os sub-programas previstos para as áreas industriais, sócio-econômicas e ambientais das culturas da canola, girassol, mamona, soja, mandioca e cana-de-açúcar. “Precisamos dar respostas tecnológicas à demanda, reforçando o papel da agroenergia na diversificação da matriz produtiva do Estado”.

Fontes: Embrapa Clima Temperado – www.cpact.embrapa.br / Emater/RS-Ascar – www.emater.tche.br / Fepagro – www.fepagro.rs.gov.br

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