Espécies brasileiras mostram potencial para a produção de biodiesel

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A diversificação das matérias primas para a produção do biodiesel é um dos principais interesses do setor agroenergético. Hoje cerca de 80% do combustível vem da soja, que apresenta desvantagens como um rendimento menor que uma tonelada de óleo por hectare. Na busca por novas matérias primas, uma pesquisa da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – tem apontado para o potencial de três plantas brasileiras: a macaúba, o inajá, o tucumã.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados – Unidade da Embrapa localizada em Planaltina (DF) – Nilton Junqueira, que coordena a pesquisa, os estudos se iniciaram em 2007 com a avaliação de diversas plantas. Algumas delas, no entanto, já foram descartadas, pois apresentam baixa produtividade de frutos ou alta incidência de pragas e doenças. É o caso do babaçu, da andiroba arbórea e do baru. “É inviável economicamente investir nelas sendo que há alternativas que apresentam melhor desempenho”, defende.

Já as plantas que apresentaram frutos com mais potencial de produção de óleo agora dependem de outros fatores para serem indicadas pela pesquisa como uma boa opção de matéria prima para o combustível. “O que vai determinar se é interessante ou não investir nelas agora é a viabilidade econômica da lavoura e o balanço energético”, afirma. Esse último fator determina quantas unidades de energia são gastas para produzir uma unidade de energia, o que varia de acordo com a matéria-prima. No caso do etanol, por exemplo, gasta-se uma unidade de energia para produzir 8,3 e na soja, gasta-se uma unidade de energia e produz 1,45.

*Palmáceas* – Na pesquisa, as três plantas que apresentaram melhor potencial até agora são palmeiras. Além de produzirem uma grande quantidade de biomassa e terem bom óleo, elas apresentam como vantagens a rusticidade e a possibilidade de serem cultivadas em consórcio com pastagem. “Para produzi-las não é necessário deslocar a produção de alimentos, e o produtor pode pleitear crédito de carbono por ser uma floresta nativa” avalia Nilton.

Segundo o pesquisador, outra vantagem que deve contribuir para a domesticação dessas plantas é que todas as palmáceas ao longo dos anos se evoluíram em maciços (agrupamentos de árvores da mesma espécie). Isso é forma de escapar de pragas e doenças, pois nessas formações as pragas e doenças que existem no ambiente co-evoluiram com a planta, o que a deixa mais tolerante.

*Opções em estudo* – Outras plantas ainda continuam sob avaliação, como é o caso do pequi e a andiroba de rama, também conhecida como fevilha. O estudo dessas duas espécies ainda depende de mais tempo para que seja verificado o potencial do fruto. Segundo Junqueira, o pequi tem uma característica interessante, por produzir em solos de baixa fertilidade. Já a fevilha ocorre em todo o país e tem alto teor de óleo. Outra espécie que também continua em avaliação também é o pinhão manso. Apesar da boa qualidade do óleo, as principais dificuldades da planta são as doenças e a colheita manual. Junqueira explica que é preciso ainda investir em tecnologias para a mecanização da colheita, da qual depende a viabilidade econômica da cultura.

Com o envolvimento de 130 pesquisadores da Embrapa além de especialistas de outras empresas de pesquisa e universidades, o estudo buscou entre as populações nativas em todo o Brasil alguns exemplares das plantas sob avaliação. Com elas foram formados bancos de germoplasma, que reúnem diferentes materiais genéticos das espécies estudadas. Ao mesmo tempo, foram coletados os frutos delas para verificar o teor e a qualidade do óleo. Foi avaliada também a ecologia das plantas – o solo, a altitude, outras espécies de vegetação próximas, entre outros fatores. Por fim, como são plantas nativas, foi iniciado um processo de domesticação delas, para que no futuro elas possam ser cultivadas pelo produtor rural.

No caso do balanço energético, a análise determina quantas unidades de energia são gastas para produzir uma unidade de energia. No caso do etanol, gasta-se uma unidade de energia para produzir 8,3 e na soja, gasta-se uma unidade de energia e produz 1,45.

As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa Cerrados.

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