´Erva daninha se combate com bom senso´

Na hora de combater as ervas daninhas nos canaviais, é preciso misturar pelo menos dois ingredientes básicos: observação e bom-senso. “O mais indicado é fazer o acompanhamento de fazenda por fazenda, lavoura por lavoura, para definir o momento certo para a aplicação do herbicida, tipo e dosagem do produto a ser utilizado, entre outros detalhes. A recomendação do rótulo não é a única a ser seguida”, observa o gerente agrícola da área técnica da Usaciga, de Cidade Gaúcha (PR), Valter Sticanella. Segundo ele, quanto mais se observar a relação entre as características da variedade da cana e o tipo de erva daninha, maiores são as chances de obtenção de bons resultados. As condições climáticas também devem ser observadas com atenção.

“A cana que fecha com maior rapidez não precisa de um herbicida muito agressivo. Em caso de seca, pode ser necessária a aplicação de um produto com um efeito residual mais forte, porque a cana demora mais para crescer”, exemplifica ele. O gerente de marketing de cana-de-açúcar da DuPont, José Eduardo Silva, diz que para se obter boa eficiência, deve-se levar em considerações fatores como tipo de solo, percentual de infestação, estágio da cultura, tamanho da planta daninha, equipamento a ser utilizado, volume de água adequado na aplicação, entre outros. Não existe um procedimento único e padronizado. “Para cada situação, a DuPont faz um estudo, juntamente com as usinas, para avaliar as particularidades de cada caso”, afirma.

O gerente da Usaciga avalia que é necessário racionalizar o controle químico, o que não implica em reduzir gastos com herbicidas. O barato pode sair muito caro. Ele mesmo faz os cálculos: o custo — fora o valor da aplicação —, na usina de Cidade Gaúcha, para combater plantas invasoras é de US$ 30 por hectare para cana soca e fica entre US$ 50 e US$ 60 para cana planta. Os gastos, na lavoura, representam um pouco mais de 10% de prováveis perdas causadas pela diminuição da produtividade em função de uma invasão desenfreada de plantas daninhas. Os prejuízos, provocados pela redução da produtividade em torno de 50% — o que é o mais comum nesses casos — ficam em aproximadamente US$ 500 dólares por hectare. De acordo com Sticanella, a queda pode chegar em até 70% e em casos mais extremos, ocorrer a perda total da lavoura “O plantio ou replantio da cana está custando na faixa de US$ 800,00 a US$ 1200,00 por hectare, dependendo dos tratos culturais que forem necessários”, informa José Eduardo, da DuPont.

O melhor mesmo, diz, é ter produtos variados que podem ser utilizados para cada situação, levando-se em consideração determinadas condições de clima e tipo de erva daninha. Para o gerente da Usaciga, o emprego da capina — manual ou mecânica — só compensa em casos específicos, quando, por exemplo, as condições climáticas e a localização de determinadas áreas não favorecem o emprego de herbicidas. Ele diz ainda que não se deve, em nenhuma hipótese, desconsiderar as medidas necessárias para a preservarção da saúde do trabalhador.

Usaciga adota medidas para proteger mananciais

Antes de aplicar produtos para combater capim-colchão, grama seda, capim colonião, braquiárias — as mais comuns nas lavouras da Usaciga —, funcionários da usina fazem treinamento no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural — Senar, órgão ligado ao Governo do Estado do Paraná. “Quem resistir ao uso de equipamento de proteção, corre o risco de ser demitido”, avisa Sticanella.

Apesar de não utilizar serviços terceirizados nessa área, o gerente agrícola diz que a contratação de empresas, com especialização altamente técnica, é uma alternativa para o setor. “Mas, os prestadores de serviços devem estar disponíveis 24 horas por dia por causa da variação climática”, opina.

Outra preocupação da Usaciga, no controle de ervas daninhas, refere-se à questão ambiental. Além de não exagerar na dosagem e quantidade do produto e tomar os cuidados necessários na armazenagem, a usina adota algumas medidas para proteger os mananciais. “A captação de água para os caminhões é feita em poços artesianos, para que não haja risco de contaminação dos rios”, afirma.

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