Entre as commodities, açúcar é a que se mantém mais estável

Os contratos de março do açúcar fecharam ontem valendo US$ 0,1161 por libra-peso, ou, US$ 255,80 por tonelada na Bolsa de Nova York, o que representou queda de 8,2% em uma semana. No dia 5 deste mês, a commodity fechou a US$ 0,1264 por libra-peso (US$ 278,96/tonelada), segundo dados da Safras & Mercados.

Embora em queda por conta dos reflexos da crise financeira, entre as commodities agrícolas, o açúcar foi o que sofreu o menor impacto da crise financeira até agora, de acordo com analista. “O açúcar é pouco elástico na relação demanda e renda. De modo geral, os alimentos são menos elásticos. Mesmo quando há perspectiva de menor renda, as pessoas podem consumir menos aquele produto, mas não reduzem drasticamente”, explica Miguel Biegai, analista da Safras. “A crise teria de se aprofundar muito para assistirmos a uma queda drástica do açúcar”, continuou.

Segundo o especialista, na outra extremidade entre as commodities agrícolas está o algodão. Em cenário de crise, o consumidor reduz bastante a compra de têxteis, quando não decidem eliminar o produto da lista de compras. Por outro lado, lembra Biegai, quando a renda melhora, as commodities pouco elásticas mantêm esse perfil. Já o algodão responde fortemente à melhoria de cenário porque a demanda fica represada.

Mesmo com o açúcar em baixa, os exportadores praticamente não perderam margem porque houve compensação por conta da valorização do dólar. “O maior problema para os usineiros não ocorre em relação aos fundamentos de mercado, mas porque as usinas estão endividadas”, lembra Felipe Ferraz, da Bauche Energy.

O desempenho em relação à elasticidade de cada commodity diante do cenário fica visível nas comparações mais de longo prazo. Após o fechamento de ontem, o preço do contrato de março de 2009 do açúcar chegou em nível 26,7% mais baixo do que o topo histórico do contrato este ano, no dia 27 de agosto, quando alcançou US$ 0,1585 por libra-peso (ou US$ 349,33 a tonelada).

Já o algodão, o fechamento do contrato de dezembro de 2008 ontem ficou em patamar de preço 60% inferior ao do topo histórico para o contrato este ano, quando atingiu os US$ 0,9845 por libra-peso (US$ 2,169 mil a tonelada) no dia 5 de março. O contrato chegou aos US$ 0,3945 por libra-peso (US$ 869,4 a tonelada) em Nova York ontem. “Outras commodities alimentícias sofreram impacto, mas o açúcar sofreu menos. Cada uma tem um perfil de consumo”, finaliza Biegai (DCI, 13/11/08)

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