Empresa de palma cresce e planeja dobrar produção em 10 anos

A Agropalma, de olho na alta produtividade da palma e no potencial de crescimento da demanda nacional e mundial por produtos derivados da cultura, especialmente o biodiesel, estima dobrar sua produção em dez anos. A empresa é a maior produtora de palma da América Latina.

Segundo Marcello Brito, diretor comercial da empresa e vice-presidente da Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), este ano, a Agropalma espera comercializar 130 mil toneladas do produto. O volume representa avanço de 10% se comparado ao ano passado. “Este ano temos os preços melhores que os praticados no em 2009”, diz.

Impulsionada pelo programa de biodiesel do governo federal, Brito aposta, em longo prazo, que a palma se torne a principal matéria-prima para o biocombustível. “O biodiesel da palma possui o maior potencial de crescimento no País”, afirma.

O governo federal lançou este ano o programa de produção sustentada da palma, cuja meta é ampliar a produção para atender a crescente demanda interna e externa do produto. “De todo volume produzido no mundo, apenas 10% se destina à produção de biodiesel”, diz o executivo.

Ainda e acordo com Brito, 80% da produção mundial de palma vai para o setor de alimentos e os 10% restantes para a indústria química, responsável, por exemplo, pela produção de cosméticos e tintas. Dados da Agropalma mostram que o mundo produz 45 milhões de toneladas de palma.

Segundo Brito, dos 80 mil hectares cultivados com palma no Brasil, 40 mil hectares são da Agropalma e 10 mil hectares de parceiros da empresa.

A Agropalma, de capital nacional, atua em três municípios do Pará: Tailândia, Acará e Moju. A companhia tem uma refinadora na Amazônia, uma unidade de acondicionamento e uma usina de biodiesel em Belém. “A usina ficou de fora do último leilão, por isso está parada”, afirma Brito.

De acordo com o diretor comercial, a empresa – que está em processo de replantio – também diversifica seus negócios.

No setor de orgânico, a Agropalma investe em 4.150 hectares de palma. Em 2010, a empresa estima comercializar 20 mil toneladas de produtos, como óleo de palma, oleína de palma, estearina de palma e óleo de palmiste.

Segundo Brito, 99% desses produtos serão destinados ao mercado externo, principalmente para a Alemanha – que reexporta para outros países europeus – e para os Estados Unidos. Canadá, Coreia do Sul, Israel, Austrália e Inglaterra, apesar de importarem em volumes fracionados, também são destinos para os produtos da Agropalma. “O 1% restante será comercializado no mercado interno como produto convencional”, afirma.

A palma é vista com bons olhos pelo mercado por possuir alta capacidade produtiva especialmente nas regiões próximas a linha do equador. De acordo com o executivo, a palma é capaz de produzir cinco toneladas de óleo por hectare, enquanto a soja produz 500 quilos por hectare. No entanto, o Brasil possui ainda uma produção anual de cerca de 220 mil toneladas.

Para se ter uma ideia, segundo Brito, apenas a área degradada do Pará ultrapassa o montante de terras cultivadas com palma na Indonésia, que é a maior produtora mundial, com seis milhões de hectares plantados.

As regiões brasileiras mais aptas ao plantio de palma são o Norte do Pará, o Sul do Amapá, o Amazonas e Roraima. O Maranhão, Mato Grosso, Rondônia e Bahia são considerados, de acordo com Brito, regiões semi-aptas ao cultivo da oleaginosa, pela queda de produtividade. “A faixa preferencial vai de menos dez graus a mais dez graus acima da linha equatorial. Quanto mais próximo, mais produtiva”, diz.

Para Brito, além da alta produtividade da palma, a oleaginosa ainda apresenta mão de obra pouco mecanizada, o que favorece o desenvolvimento social e a cultura também ajuda na recuperação de áreas degradadas. “Pela cobertura verde, por ser alta e entre outros, possuir boa assimilação de carbono”, diz.

Conferência

Para discutir a sustentabilidade no setor e a comercialização, a RSPO, que congrega toda a cadeia produtiva do óleo de palma, promove a II Conferência Latino-americana, de 24 a 27 de agosto, em Belém. Segundo Brito, único brasileiro a integrar a direção da RSPO, os termos do programa de incentivo à cultura da palma, bem como seus impactos e oportunidades sobre a floresta e a população da Amazônia também serão abordados. “O País está começando. Precisamos evitar cometer os mesmos erros da Indonésia”, diz, se referindo a degradação socioambiental na região.

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