Empresa de investimentos dos EUA negocia usina no país

A empresa americana de investimentos Kidd & Company negocia a compra da usina de açúcar e álcool brasileira Coopernavi (Cooperativa dos Produtores de Cana-de-Açúcar de Naviraí), instalada no Mato Grosso do Sul. O valor do negócio está estimado em R$ 240 milhões, conforme informou ao Valor Ibanês Antonio Viero, presidente da Coopernavi. Em outra frente, um fundo de investimentos inglês também negocia a aquisição de uma usina sucroalcooleira em Minas Gerais.

Se concretizada a compra da usina Coopernavi, será a primeira vez que uma companhia americana investe no setor de açúcar e álcool do Brasil. “Ainda estamos em processo para transformar a cooperativa em uma empresa SA [Sociedade Anônima], antes de fecharmos definitivamente o negócio”, disse Viero.

A primeira tentativa de entrada de capital americano na produção sucroalcooleira no Brasil foi em 2005, quando a Cargill anunciou que estava negociando a aquisição da Açucareira Corona. Contudo, o negócio fracassou e a usina brasileira foi adquirida pelo grupo Cosan.

Antes de negociar com a Kidd & Company, a Coopernavi também recebeu proposta dos grupos Bunge, maior processadora de soja do mundo, e Nova América, detentora da marca União. “A Kidd & Company fez a melhor proposta”, resumiu Viero.

Com uma capacidade para processar 2 milhões de toneladas de cana por safra, a Coopernavi, instalada na cidade de Naviraí, moeu cerca de 1,8 milhão de toneladas no ciclo 2005/06. O mix de produção da usina é de 50% para açúcar e 50% para álcool. Procurada pela reportagem, a empresa americana preferiu não comentar a negociação.

Fontes de mercado próximas à negociação afirmam, porém, que a companhia americana está há um ano e meio procurando oportunidades de negócios no setor sucraolcooleiro do Brasil. A companhia americana, criada em 1996 e composta por 12 sócios, investe em empresas com potencial de crescimento no mercado. “A empresa não está interessada em açúcar. Quer apostar na expansão do álcool no mercado internacional”, disse uma fonte.

Paralelamente, um fundo de investimento inglês está negociando a compra da usina Alcana Destilaria de Álcool de Nanuque, no norte de Minas Gerais, também segundo fontes de mercado. O fundo, chamado Evergreen, foi criado para investir no setor sucroalcooleiro, conforme um representante das indústrias do Estado de Minas. Procurados, os executivos da Alcana não quiseram dar detalhes da negociação.

A opção desses dois grupos de capital estrangeiro por regiões pouco tradicionais em cana é um reflexo do saturado mercado de açúcar e álcool de São Paulo, maior Estado produtor de cana do país. “É óbvio que a primeira tentativa dos grupos estrangeiros é tentar adquirir usinas em São Paulo. Mas o mercado paulista está saturado e os preços das usinas do Estado estão altos”, disse um analista.

A entrada de grupos estrangeiros no setor ocorreu a partir de 2000. Os grupos franceses Tereos e Louis Dreyfus foram os primeiros a adquirir usinas no país.

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