Empresa Biocapital garante que atua com responsabilidade social

Em resposta a reportagem publicada neste fim de semana, em que especialistas de diversas áreas protestam contra a instalação da usina de cana-de-açúcar para produção de etanol em Roraima, sob a responsabilidade da empresa paulista Biocapital, o superintendente da empresa, Cláudio Cavalcante, entrou em contato com a Redação da Folha para contestar todas as declarações dos profissionais.

Em correspondência eletrônica enviada à equipe de Reportagem, ele informou que o Projeto da Biocapital está baseado nas melhores plantas para produção de etanol existentes no país e ressaltou a preocupação ambiental e social da empresa.

Cavalcante foi procurado por telefone e por e-mail pela equipe de Reportagem da Folha durante a produção da reportagem, porém não se manifestou. Depois da publicação da matéria, disse que não o fez por questões de compromissos previamente agendados e enviou informações que rebatem as críticas dos especialistas.

Para o superintendente, a preocupação da população boa-vistense é pertinente. “Vejo tudo isto com muita tranqüilidade, porque é importante para nosso projeto que todas as dúvidas e questionamentos sejam esclarecidos à população. Não queremos esconder nada”, garantiu em nota.

Ele afirmou ainda que faz parte da missão da Biocapital “atuar de forma segura, com responsabilidade social e ambiental, buscando maximizar o desempenho da empresa, como forma de garantir sua perenidade, seus investimentos e contribuindo para o desenvolvimento”.

Conforme Cavalcante, o projeto está baseado nas melhores plantas para produção de etanol existentes no país, e que tal referência está citada em seu Relatório de Impacto Ambiental (Reia). “O rio Tacutu, que é o maior manancial de águas existente, próximo às terras onde será instalado o projeto, não vai ser utilizado. Toda a captação de água vai ser subterrânea, portanto não existirão impactos nos organismos aquáticos”, garantiu.

Outro ponto destacado foi quanto ao abastecimento de água de Boa Vista. Segundo ele, o sistema não vai ser prejudicado, devido ao manancial de águas pluviais existente no Rio Tacutu ser de aproximadamente de 1,7 milhões de m3/segundo, suficientes para uma população de 725 milhões de habitantes.

“O manancial de águas subterrâneas é de 50 m3/segundo, que é suficiente para uma população de 21 milhões de pessoas. Nosso projeto não vai utilizar [conforme planilha existente no EIA/RIMA] águas do rio Tacutu. Vamos utilizar apenas águas subterrâneas e a quantidade representa 1,5 % do manancial existente nas águas subterrâneas”, afirmou em nota.

A preservação das áreas indígenas, Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal e o patrimônio histórico, veemente questionadas pelo grupo quanto à instalação da Biocapital serão respeitadas pela empresa, segundo o superintendente.

“Todas serão respeitadas. Não existe por parte da Biocapital interesse em utilizar áreas que não sejam propriedades particulares e áreas de produtores rurais que se tornem parceiros da empresa. Não existe por parte da empresa política que não seja trazer para Roraima uma nova lavoura que desenvolva o estado, traga bem-estar aos seus colaboradores e a sociedade, preservando a cultura do local para assim tornar seu projeto sustentável”, garantiu em nota.

Quanto aos possíveis impactos ambientais causados nos 75 mil hectares de cana a serem cultivados, estão, conforme ele, detalhados no estudo. “Entendemos que a política da empresa, em utilizar apenas de 55% a 60% das áreas adquiridas deixando 40% a 45% destas disponíveis para manutenção das Áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente, define que não vai ser aplicada no estado uma devastação do meio ambiente”, observou.

Outro ponto frisado pelos especialistas foi quanto às fumaças que serão exaladas pela usina em Bonfim, podendo chegar até Boa Vista. “As caldeiras da indústria vão produzir fumaça sim, mas não vai ser prejudicial a nenhuma comunidade existente no estado. Até mesmo as mais próximas do parque industrial, devido ao projeto contemplar este tipo de equipamentos com lavadores de gases, que além de eliminar os particulados, vão também lavar e purificar todo o gás emitido pelas chaminés”, explicou.

Cláudio Cavalcante ressaltou ainda que quanto a acidentes nas tubulações que vão transportar os efluentes, a “Biocapital tomou todas as medidas necessárias para evitar qualquer acidente ao meio ambiente. “Para tanto, teve a preocupação de instalar seu projeto numa área com uma altitude de 52 metros acima do nível das terras, onde pretende cultivar a cana de açúcar e aplicar a vinhaça [principal efluente]. Esta decisão facilita o transporte deste líquido, podendo ser conduzido por gravidade em canais abertos revestidos ou em tubulações de PRFV, evitando trabalhar com linhas pressurizadas que poderiam sim, provocar vazamentos”, finalizou.

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