Embrapa desenvolve mandioca para produzir etanol

A mandioca açucarada para produção de etanol é uma das novidades apresentadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa durante a Expowec 2008 – Exposição Tecnológica Mundial, que acontece de 2 a 6 de dezembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, DF. A Empresa está representada no evento por duas de suas 41 unidades de pesquisa – Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Embrapa Agroenergia, ambas localizadas em Brasília – e vai mostrar as pesquisas desenvolvidas com várias culturas agrícolas como fontes alternativas para produção de energia renovável.

As variedades de mandioca são naturalmente açucaradas e foram coletadas pelo pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Luiz Joaquim Castelo Branco Carvalho e sua equipe na Amazônia na década de 90. A realização de testes bioquímicos e genéticos levou à identificação de genes e características responsáveis pelas mutações naturais que podem beneficiar diversos setores da indústria. “Os programas de melhoramento de mandioca no Brasil são orientados, em grande parte, para a produção de farinha e fécula. As novas variedades podem diversificar o mercado de derivados da mandioca em uso comercial na atualidade”, afirma o pesquisador.

Uma das características identificadas pela Embrapa é o alto teor de glicose, que pode ser altamente positivo para a produção de etanol, já que dispensa a necessidade de hidrólise utilizada no processo convencional. “Para produzir o combustível a partir da mandioca é preciso hidrolisar o amido que está no tubérculo e esse processo é dispendioso tanto em termos financeiros como energéticos”, afirma Castelo.

As variedades pesquisadas pela Embrapa possuem açúcar na raiz ao invés de amido e, por isso, podem levar a uma redução de mais de 25% no custo energético do processo final de obtenção de etanol.

Conhecimento

A chave para diversificar o mercado da mandioca e aumentar as vantagens econômicas e sociais dos pequenos produtores, responsáveis por grande parte da produção desse alimento no Brasil, está na integração entre o conhecimento tradicional e as modernas ferramentas biotecnológicas desenvolvidas pela ciência. Segundo Castelo, a genômica funcional tem permitido identificar novos genes diretamente da biodiversidade a partir de mutações espontâneas.

Atualmente, as características de interesse estão sendo transferidas para variedades comerciais por técnicas de melhoramento genético convencional e utilizadas para incrementar os estudos genômicos e o conhecimento sobre a funcionalidade das mutações naturais nas variedades de mandioca açucarada, em parceria com outras unidades da Embrapa: a Embrapa Cerrados e a Embrapa Agroenergia, também localizadas em Brasília, e a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, em Cruz das Almas, BA (Assessoria de Comunicação, 2/12/08)

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