Eletrobras quer usina Três Irmãos

A Eletrobras vai entrar na disputa pela concessão da hidrelétrica de Três Irmãos. A usina localizada no rio Tietê, no município de Parreira Barreto (SP), pertence à paulista Cesp. O contrato de concessão da usina venceu em novembro de 2011 e, por decisão da empresa, não foi renovado. O empreendimento vai a leilão em um lote único, em setembro.

A decisão foi confirmada pelo presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto. “Sem dúvida nenhuma, nós vamos disputar. Quem tem nosso tamanho e já tem uma equipe consolidada para suportar 20 usinas, poder suportar 21. Nós somos altamente competitivos nesse caso, porque podemos diluir o custo fixo de operação da usina”, disse Carvalho Neto, em entrevista ao Valor.

Carvalho Neto refere-se, basicamente, aos custos operacionais e de manutenção para administrar Três Irmãos. “O custo da usina está basicamente dividido em três componentes: o do pessoal que está no local, do pessoal de engenharia e segurança e daqueles que cuidam de funções administrativas. São custos fixos que temos todas as condições de absorver”, comentou.

Três Irmãos é a maior hidrelétrica erguida no rio Tietê, com 807,5 megawatts (MW) de potência instalada. Construída em 1993 pela Cesp, será a primeira usina de grande porte que retorna ao poder concedente e que será relicitada dentro das novas regras. No ano passado, a usina centralizou uma série de embates entre o governo federal e o governo paulista, que cobrava a renovação de contrato da hidrelétrica pelas regras até então vigentes, uma vez que a hidrelétrica ainda não tinha tido seu contrato renovado, como era o caso das demais. O Palácio do Planalto venceu a disputa e agora vai oferecer a usina a novos investidores.

Pelas regras do leilão, o governo estipula a tarifa máxima que está disposto a pagar pela geração da usina. Vence a licitação a empresa que apresentar o menor preço. A Eletrobras não está sozinha. Companhias de São Paulo, como CPFL e AES – esta última tem outras usinas no Tietê – já demonstraram interesse em Três Irmãos. A Cemig também pode entrar na disputa.

Os planos da Eletrobras também passam pela venda de participações minoritárias que a estatal detém em outras empresas de geração, transmissão e distribuição de energia. Essa avaliação, revelou José da Costa Carvalho Neto, já atinge pelo menos quatro empresas: a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), a Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE), a Companhia Energética do Maranhão (Cemar) e a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). O balanço financeiro da Eletrobras fechado em dezembro de 2012 aponta que a estatal tem participação de 35,23% na Cteep, 32,59% na CEEE, 33,55% na Cemar e 10,75% na Celesc. “Temos ativos que podem ser vendidos. Isso está sendo analisado. Queremos investir R$ 13 bilhões. Alguma coisa virá de nosso próprio resultado. Outra virá possivelmente de venda de ativo”, disse Carvalho Neto.

O executivo adiantou ainda que a Eletrobras trabalha na elaboração de um plano quinquenal para ampliar a eficiência de suas hidrelétricas e linhas de transmissão. A medida passa por investimentos em equipamentos e sistemas para ampliar a capacidade de geração de usinas antigas. Dentre as ações previstas está a possibilidade de construir uma terceira casa de força na hidrelétrica de Tucuruí, instalada no rio Tocantins, no Pará. A usina, que hoje tem capacidade instalada de 8.370 megawatts (MW), é a maior hidrelétrica nacional em operação no país. Itaipu, que tem 14 mil MW de potência instalada, é um empreendimento binacional, que opera na divisa do país com o Paraguai.

A instalação de novas turbinas em Tucuruí permitiria uma adição de até 2,5 mil MW, quase a capacidade energética prometida pela usina de Belo Monte (11,2 mil MW), em construção no rio Xingu, no Pará. “Estamos olhando essa possibilidade de expandir Tucuruí. É um projeto que está caminhando”, comentou Carvalho Neto. “Paralelamente a isso, temos espaço para substituição de máquinas antigas por outras que ofereçam melhor rendimento. Por isso, nós vamos fazer um plano quinquenal de revitalização dessas usinas. Esses ativos que tiveram a concessão renovada terão um plano de revitalização.”

O processo de reestruturação da Eletrobras inclui um plano de demissão voluntária, que já está em andamento. A estatal espera que cerca de 5 mil funcionários – de um total de 27 mil empregados diretos – entrem no programa, mas não há garantia disso. “Estamos firmando contrato com uma consultoria, que vai nos apoiar em um novo modelo de organização societária, de gestão e de governança, para que a gente possa realmente ampliar a integração e sinergia de nossas empresas, reduzindo custos”, disse Carvalho Neto.

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