Eficiência do etanol equivale a 68% da gasolina

A eficiência energética média do etanol na maior parte dos veículos vendidos no país é ainda inferior a 70% do desempenho da gasolina, nível indicado como referência no mercado. Na média, essa eficiência é de 68%, sendo que em apenas 10% dos carros esse desempenho é igual ou superior a 70%. A tendência é de essa relação permanecer desvantajosa ao biocombustível. No último ano, o ganho de eficiência obtido por veículos vendidos no país foi maior no uso de gasolina do que de etanol.

Os cálculos foram feitos pelo Valor com base em medição do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) com veículos que respondem por 83% das vendas no mercado nacional. Para 2013, foi auferida a eficiência energética de 327 modelos de 25 marcas diferentes. No ano passado, foram 151 modelos.

A medição do Inmetro começou em 2008 e integra o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), o mesmo que concede selo de consumo de energia a eletrodomésticos. A partir deste ano, participar do PBE Veicular é pré-requisito para montadoras que aderirem ao novo regime automotivo, que prevê incentivos fiscais às empresas que, entre outras exigências, melhorarem a eficiência energética de seus veículos.

Os modelos foram classificados dentro de cinco categorias – A, B, C, D e E, sendo “A” a de menor consumo energético e a “E”, de maior consumo, tanto de gasolina quanto de etanol, na estrada e na cidade. Cada veículo foi enquadrado dentro de sua categoria conforme a projeção de sua área no solo – Sub Compacto, Compacto, Médio, Grande, etc – e também em comparação com todas as categorias. O Inmetro também divulga nessa lista a emissão de gases de efeito estufa pelo escapamento de cada um desses 327 veículos.

O diretor da Qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, explicou que de 2012 para 2013 foi observada uma melhora da eficiência energética entre os veículos da categoria Sub Compacto com classificação A, ou seja, de menor consumo de energia. A medição divulgada no começo de 2012 indicava que, na média, esses veículos rodavam 8,8 quilômetros com um litro de etanol. Na lista divulgada em 2013, essa eficiência aumentou 3,4%, para 9,1 quilômetros.

Para os mesmos veículos, o ganho de eficiência com a gasolina foi maior na mesma comparação. Os motores, em média, percorriam 12,6 quilômetros por litro de gasolina, conforme medição divulgada em 2012. A medição de 2013 verificou que esse desempenho subiu 4,7%, para 13,2 quilômetros por litro de gasolina. “De fato, observamos que os ganhos de eficiência alcançados pelos motores foram muito mais significativos no uso da gasolina do que no uso de etanol”, afirma Lobo.

O fato é que a tecnologia flex-fuel reduziu a eficiência energética do etanol em relação à gasolina, explica o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari. Essa relação, tecnicamente chamada de “preço relativo de indiferença entre etanol hidratado e gasolina” era na década de 90, na média, de 80,67% na frota de carros movidos exclusivamente à álcool, explica Nastari. “A configuração do motor flex-fuel tem como base a motorização à gasolina, o que trouxe, na média, desvantagem ao etanol”, detalha.

Dos 327 veículos medidos pelo Inmetro na lista de 2013, 220 têm motor flex-fuel. Desses, 184 apresentaram rendimento com etanol abaixo de 70% da eficiência energética da gasolina. O melhor desempenho com etanol na comparação com o combustível fóssil foi de 72,8%, encontrado em um modelo da categoria Sub Compacto, na qual estão os modelos Uno e Novo Uno (Fiat), Ka (Ford), Picanto (KIA), March (Nissan) e Clio (Renault). Na média entre todos os veículos dessa categoria, esse percentual de eficiência do etanol é de 68,8%, a maior média entre os grupos. No critério eficiência energética total, 14 modelos do total de 33 enquadrados nessa categoria obtiveram o selo “A”, de menor consumo de combustível.

A menor média de eficiência de etanol/gasolina veio da categoria Compacto (66,8%). Ao usar etanol, os veículos médios e grandes medidos pelo Inmetro apresentaram desempenho energético de 67,8% da eficiência que tiveram com gasolina. É preciso observar que um modelo que tem menor eficiência com uso de etanol não necessariamente tem menor eficiência energética de forma geral. Costumam, sim, ter maior eficiência no uso de gasolina. Segundo o Inmetro, é estratégia de cada montadora calibrar seus motores para serem mais eficientes no uso de um ou outro combustível.

Agora que o Inmetro tem medido o desempenho energético de veículos que representam mais de 80% do mercado nacional, fica mais fácil ao consumidor comparar as informações de consumo de combustível, emissões de gases poluentes, entre outros indicadores de qualidade dos veículos que pretendem adquirir, explica o presidente do Inmetro, João Jornada. Segundo ele, metade dos veículos que aderiram ao PBE vão estampar a etiqueta do Inmetro no vidro do automóvel.

Com base nas informações do Inmetro, o motorista também pode calcular a viabilidade para seu veículo de usar etanol ou gasolina, conforme o preço de mercado dos dois combustíveis. Na média, era viável usar o biocombustível quando seu preço equivalia a, no máximo, 70% do valor do combustível fóssil, dada a ideia difundida de que sua eficiência energética média equivalia a 70% da eficiência da gasolina.

Considerando que a média de eficiência é de 68%, deixa de ser vantajoso ao consumidor abastecer com etanol, por exemplo, no Estado de São Paulo. No último levantamento de preços da Agência Nacional de Petróleo (ANP) referente à semana encerrada no dia 5 de janeiro, foi verificado que o valor médio do litro do etanol hidratado nos postos de combustíveis do Estado foi de R$ 1,824, equivalente a 69,16% do preço médio da gasolina. Para ser mais vantajoso em São Paulo, o preço médio do litro do etanol deveria estar abaixo de R$ 1,7936.

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