Dólar mantém alta enquanto mercado assimila medida do BC

O dólar comercial mantém nesta terça-feira a trajetória de alta iniciada ontem e é vendido a R$ 3,076, com valorização de 1,51%. Tendo já atingido a cotação máxima de R$ 3,088 hoje, a moeda pode voltar a caminhar para o patamar de R$ 3,10.

O dia é de reavaliação de estratégias de bancos, empresas e investidores após o anúncio, na segunda-feira, de que o Banco Central não vai mais renovar integralmente sua dívida atrelada ao câmbio.

Quem comprava títulos cambiais como forma de ‘hedge’ (proteção contra oscilações da moeda) vai passar a comprar dólares, pressionando sua cotação.

Analistas e operadores também reclamaram de a medida ter sido divulgada no meio do pregão, o que acabou provocando uma reação exagerada do mercado.

Para o ministro Antonio Palocci (Fazenda), a mudança não foi bem compreendida. Ele afirmou que a intenção não foi definir um valor para o cambio e sim diminuir a dívida cambial do governo.

O dólar futuro (junho) também registra forte elevação de 1,38%, para R$ 3,081.

A perspectiva de alta do dólar pode significar uma elevação da inflação, que tem dado sinais de queda. Entretanto, segundo economistas, o efeito da valorização da moeda norte-americana sobre os índices de preço demora um pouco a aparecer.

Amanhã, sai a terceira prévia do mês de maio do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), e, no dia seguinte, os números sobre as variações trimestral e anual do PIB (Produto Interno Bruto).

Risco e dívida

Como ontem os mercados norte-americanos permaneceram fechados devido a um feriado nacional, não foi possível verificar o impacto da medida tomada pelo BC em relação aos ativos brasileiros no exterior.

O risco Brasil tem alta de 0,38%, para 786 pontos, e o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, é vendido a 89,813% do valor de face, com queda de 0,14%.

Reformas

Hoje o PMDB deve formalizar seu apoio congressual ao governo. Esse é mais um passo importante para a aprovação das reformas tributária e da Previdência, vistas pelo mercado como essenciais para o saneamento das contas públicas e como teste à habilidade de negociação da administração Luiz Inácio Lula da Silva.

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