Diante preço internacional baixo, Brasil reduz exportação de açúcar aos árabes

Diante o preço internacional baixo, o Brasil reduz a exportação de açúcar para os árabes. No primeiro semestre de 2018, o recuo nas vendas do alimento refletiram na queda de 15,38% de exportações totais aos países árabes ante o mesmo período de 2017.
O açúcar e o frango representam 60% da pauta de exportações.
Com o corte, as vendas brasileiras aos árabes entre janeiro de junho somaram US$ 6,05 bilhões.
A queda, no entanto, foi em valores, uma vez que em toneladas o Brasil embarcou 6,08% mais ante o primeiro semestre de 2017.
A Câmara atesta que as receitas foram menores porque exportadores de açúcar e frango, que são 60% da pauta, resolveram priorizar o mercado nacional.
Além disso, há a queda dos preços internacionais, barreiras ao frango, maior competição com o bovino australiano e a greve dos caminhoneiros, embora a demanda no bloco por alimentos siga firme.
Boa parte da redução é creditada à super-safra mundial de açúcar, que compõe 27% das vendas aos árabes. No acumulado o Brasil vendeu US$ 1,66 bilhão do produto, queda de 35,63%.
Derrubada
Desde o ano passado, a superprodução na Índia vem derrubando a commodity em 30% em média, sem deixar perspectiva de recuperação pelo menos até o ciclo 2019/20. Num esforço de equilibrar receitas, as usinas brasileiras vêm dirigindo uma parte maior da moagem para o etanol de demanda doméstica.
O resultado foi a redução dos embarques de açúcar e, na mesma proporção, da participação do Brasil no suprimento aos árabes.
A lacuna foi ocupada por Índia e Tailândia, países que não têm acesso a um grande mercado de etanol como o Brasil, mas têm açúcar em escala e a vantagem de estarem mais próximos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes e do Egito, todos mercados de grande demanda.
Além disso, o Brasil vem enfrentando problemas com o frango, o segundo produto da pauta. No período, as receitas tiveram queda de 23,92% e somaram US$ 1,20 bilhão.
Embora o frango não registre quedas bruscas no preço, desde o ano passado a Arábia Saudita, o maior mercado exterior para a ave brasileira, vem questionando o método de abate no Brasil, que não seguiria as regras do Islã por incluir insensibilização elétrica.
Os sauditas vetaram o frango fora de padrão, posição seguida por outros países árabes, enquanto o lobby brasileiro tenta mudar a seu favor a norma técnica de abate da Gulf Standard Organization, espécie de Inmetro da Península Arábica.
Grandes exportadores, entanto, já se adequaram às exigências e aceitaram até sacrificar margens, pois o abate sem insensibilização tem perdas maiores. Mas os frigoríficos menores saíram do mercado e o espaço foi ocupado por turcos e americanos, que vêm conseguindo vender frango com preço não muito distante da competitiva ave brasileira.
Mais sobre a Câmara 
A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira representa 22 países árabes, foi fundada em 1952 e tem como missão aproximar comercialmente o Brasil dos países árabes, incrementando intercâmbios culturais e turísticos entre árabes e brasileiros.
entidade oferece diversos serviços de apoio ao comércio bilateral, como certificação de documentos, informações sobre mercados, traduções, eventos e workshops. Disponibiliza, também, o Espaço do Conhecimento Comercial, um centro de referência para pesquisas das relações entre o Brasil e os países árabes.
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