Desembolsos totais caem 29% em 2012

O desinteresse de usinas de cana-de-açúcar por investimentos não se restringiu em 2012 aos projetos de cogeração. Segundo dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os desembolsos totais ao setor sucroalcooleiro no ano passado caíram 29%, para R$ 4,2 bilhões, o nível mais baixo desde o início do “boom do etanol”, em 2007.

O principal recuo veio dos desembolsos na categoria “industrial”, que basicamente abriga construção de usinas novas (greenfields) ou ampliações industriais de unidades já existentes. Foram R$ 2,3 bilhões em 2012, 44% abaixo dos R$ 4,14 bilhões de 2011. O chefe do Departamento de Biocombustíveis do banco, Carlos Eduardo Cavalcanti, esclarece que a maior parte dos desembolsos de 2012 se refere a projetos protocolados no banco em anos anteriores, e que há em carteira pouca demanda nova do setor. “As empresas ainda estão com dificuldade de acesso a crédito”, observa.

Os desembolsos agrícolas foram os únicos a subir em 2012. O banco liberou R$ 1,2 bilhão para o plantio de cana, 33% acima do ano anterior. Desse total, R$ 400 milhões foram via Prorenova – linha especial de crédito voltada ao cultivo de cana, que disponibilizou R$ 4 bilhões em 2012 e que foi renovada para os próximos 12 meses com o mesmo valor. “Há ainda R$ 950 milhões em projetos aprovados ou contratados para serem desembolsados do Prorenova em 2013”, afirma Calvancanti.

Ele informa que a expectativa é de crescimento para os desembolsos de 2013, para cerca de R$ 5 bilhões. “Bancos e empresas estão mais familiarizados com o programa. Além disso, há os desembolsos previstos para inovação tecnológica e os próprios investimentos em ampliação de usinas já existentes, que tendem a continuar tendo uma boa demanda”, diz. (FB)

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