Déficit mundial de açúcar pode ser bom negócio para PE

O mercado aumentou as projeções do déficit da produção mundial de açúcar na safra atual (2015/16). Esta semana, o banco Rabobank elevou sua previsão inicial de um resultado deficitário em 4,7 milhões de toneladas para 6,8 milhões de toneladas.

Já a Organização Internacional do Açúcar (OIA) estima um saldo negativo de mais de cinco milhões de toneladas. Em contrapartida, o consumo continua crescendo, o que traz boas perspectivas para o comércio da commodity aos produtores brasileiros, incluindo os pernambucanos.

A boa perspectiva pode influenciar positivamente o desempenho da próxima safra 2016/2017, uma vez que, atualmente, o setor está em período de entressafra e a colheita finalizou quase sem estoques.

Sendo o Brasil o maior produtor e exportador do açúcar no mundo, a boa perspectiva do mercado pode favorecer as exportações do produto local, estimulada ainda pelo câmbio fortalecido, nos próximos dois a três anos.

“Em Pernambuco, nesta safra, houve uma redução para 11,6 milhões de toneladas, contra os 15 milhões de 2014/2015”, acrescentou o presidente do Sindicato da Indústria e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. O reinício da moagem acontecerá entre setembro e agosto.

A queda de produção local, este ano, foi influenciada principalmente por fatores climáticos, de acordo com o Sindaçúcar. Entretanto, não foi esse o grande influenciador da queda mundial.

A Índia e a Tailândia, segundos maiores produtores e exportadores do produto no Planeta, logo atrás do Brasil, puxaram o resultado para baixo.

O momento seria, então, favorável ao nosso açúcar, porém há desafios para que o setor possa tirar proveito das melhores remunerações internacionais.

As chuvas intensas no Centro-Sul durante o período atual de plantio, por exemplo, podem atrasar a colheita futura. No Nordeste, a estiagem continua sendo um problema e outros desafios estão postos.

“Precisamos aproveitar o calendário de plantio e tratos culturais, sendo imprescindível a liberação dos recursos da subvenção, garantidos por lei para o etanol e para a cana-de-açúcar”, ressaltou Cunha, se referindo ao pagamento devido pelo Governo Federal de R$ 12 por tonelada de cana, até dez mil toneladas, para beneficiar produtores do Nordeste e do Rio de Janeiro, em função de perdas com a seca.

A outra lei, do etanol, prevê subvenção de R$ 0,25 por litro de etanol aos produtores das mesmas regiões. Sobre o assunto, o presidente da entidade informou que está em contato com os ministérios da Agricultura e da Fazenda para um cronograma para a efetivação dos pagamentos pendentes.

Fonte: (Folha de Pernambuco)

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