Custo do crédito ao exportador e demanda começam a cair

O aumento da concorrência entre os bancos no financiamento ao comércio exterior está derrubando o custo dos empréstimos para os exportadores. “Está sobrando linha de crédito e a demanda caiu”, afirma Augusto Braúna Pinheiro, diretor da área internacional do Banco do Brasil (BB). O banco domina o mercado de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC, usado para financiar a produção antes do embarque das mercadorias) e de Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE, que fornece recursos para venda do produto no exterior).

Segundo Pinheiro, o banco desembolsou em 2002 US$ 5,5 bilhões em ACC e ACE. Neste ano, até maio, já foram US$ 3 bilhões. “A volatilidade do câmbio está menor e as empresas se soltaram”, explica.

Para João Luiz Pascoal, da comissão organizadora do 19.º Congresso Latino-Americano de Comércio Exterior da Federação Brasileira das Associações de Bancos, a demanda por ACC caiu porque os exportadores estão usando recursos próprios, à espera de uma melhor cotação do dólar frente ao real. Segundo ele, há expectativa por maior demanda de financiamentos no segundo semestre, quando a economia internacional tende a ter um maior ritmo de atividade.

As linhas disponíveis dos 10 maiores bancos para o comércio exterior brasileiro, diz Pascoal, declinaram de US$ 24 bilhões no fim de 2001 para US$ 14 bilhões na metade de 2002. Recuperaram-se gradualmente para um patamar atual entre US$ 18 bilhões e US$ 20 bilhões. A estimativa é que atinjam US$ 25 bilhões nos próximos 6 meses. As linhas atuais atendem à totalidade da demanda, afirma.

Segundo Pinheiro, o BB deve fazer mais uma captação externa até julho, de mais de US$ 200 milhões. Segundo o diretor, a emissão será uma operação estruturada, isto é, com garantias como fluxo de recebíveis. O banco já fez três emissões neste ano, levantando um total de US$ 295 milhões.

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