Cultura energética da cana impacta participantes do Sugar Dinner

A palestra “Cana-de-açúcar como uma cultura energética – O impacto do ethanol no mercado de açúcar” proferida Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da Unica, impactou o público de mais de mil participantes do New York Sugar Dinner, jantar de gala que existe há 54 anos e reúne produtores, compradores, tradings, empresários, bancos e corretoras. O evento aconteceu na noite de 10 de maio, no salão nobre do Waldorf Astoria Hotel.

“Este talvez seja nosso último jantar como Sugar Dinner”, brincou Eduardo de Carvalho ao iniciar sua apresentação, referindo-se a idéia de que no atual momento do setor não se pode desavir o açúcar do etanol.

Durante a palestra, Carvalho explanou a mudança no mercado de açúcar, explicando que o derivado da cana deixou de ser uma commoditie agrícola, passando a ser commoditie energética. “Haverá maior demanda apartir do momento que o açúcar for enxergado como produto enegético”.

Durante o jantar estiveram presentes além dos produtores de açúcar derivado da cana, personalidades importantes dentre os produtores de açúcar de beterraba, como, Luther Markwart, presidente do The Sugar Club e vice-presidente executivo do American Sugar Beet Growers Association. Dentre outros que estiveram presentes na mesa principal estavam William A. Hejl, presidente da World Association of Beet and Cane Growers, Randall Green, presidente do Sweetners Users Association, James W. Johnson, presidente do U.S. Beet Sugar Association, Peter Baron, Executive Director da International Sugar Organization e Charles H. Falk, presidente e CEO da NYBOT.

Também estiveram presentes importantes personalidades representando o setor de milho, dado o fato de que o milho é a matéria-prima utilizada na produção de etanol nos Estados Unidos. Eles estiveram muito atuantes no bastidores do evento, ou seja, nos estantes (hospitality suites) – que receberam os participantes antes e depois do jantar – organizados em diversos salões.

Importação de Etanol

Um dos principais assuntos comentados nos bastidores do jantar, foi a questão da importação do etanol por parte dos Estados Unidos. Houve um concenso geral entre o público presente de que os produtores americanos de milho farão o possível para impedir a importação do etanol.

Esta importação esta inviabilizada no momento em decorrência de uma tarifa de U$0,54. Dentre as alternativas cogitadas pelos participantes para aliviar o problema à curto prazo está a possiblidade de temporariamente reduzir ou eliminar a tarifa protecionista, desde que existam salvaguardas em meio ao processo, para que os interesses do setor de milho sejam preservados à longo prazo. Enquanto os produtores de milho não aumentam o plantio, o preço da gasolina deverá subir. O fato de ser ano eleitoral nos EUA confere uma dimensão especial a problemática do assunto, pois insidem vários fatores. Entre eles o fato de que o consumidor americano não quer ver os preços da gasolina subirem e qualquer candidato às eleições enxerga isso como ponto negativo a candidatura. Sendo assim é bem provável que exista apoio por parte dos candidatos a importação do etanol.

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