Crise: setor sucroalcooleiro pede ajuda ao Governo

No mínimo, 40 milhões de hectares de cana-de-açúcar ficarão em pé na safra 2008/09. A maior parte das empresas do setor sucroalcooleiro está com dificuldades de honrar compromissos como salário de empregados e pagamento de fornecedores. A inadimplência com fornecedores de equipamentos beira os 30%. Das 35 novas usinas previstas para partir este ano, 12 já adiaram os planos. Dos 45 empreendimentos planejados para 2009, quase a metade não acontecerá.

Este cenário, que surpreendeu o setor pela rapidez com que se instalou, deu o tom do primeiro dia da VIII Conferência Internacional Datagro de Açúcar e Álcool, nesta segunda-feira (27), em São Paulo. O evento, que faz parte do Ethanol Day, termina nesta terça-feira. O alerta, que passou a soar mais alto há pelo menos 45 dias, causando desequilíbrio nas bolsas e instabilidade cambial, fez o crédito desaparecer.

O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura (Mapa), Manoel Vicente Bertone, participou da conferência para apresentar o ainda não concluído zoneamento agrícola da cana-de-açúcar. Falou, em tese, sobre os benefícios que esta ação do governo pode gerar para garantir ao biocombustível brasileiro uma posição cada vez mais destacada no mercado mundial de energia. Mas não se furtou a comentar que a crise do setor é séria, deve ser tratada com cautela e está na pauta de discussões em Brasília.

Um possível socorro ao setor sucroalcooleiro já foi sinalizado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, na semana passada. Segundo ela, de forma “criteriosa”. No entanto, a formalização deste pedido de ajuda, que contempla subsídios de linhas de crédito a custos menores, está sendo elaborado e será entregue ao governo nos próximos dias. O auxílio beneficiaria sobretudo as indústrias exportadoras de etanol.

Enquanto a ajuda não vem, o setor deverá vender etanol com margens cada vez mais apertadas, na contramão da tendência de alta de preços prevista para o final da safra de cana. De acordo com dados do Cepea, da Esalq/USP, o valor do etanol caiu 7% nas últimas semanas. Segundo o presidente da Datagro, Plínio Nastari, esta bola de neve reduzirá os volumes de álcool nos meses de entressafra, impactando os preços de forma expressiva. “Se os preços recuam agora terão que subir em algum momento para equilibrar a equação”, disse.

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