Crise financeira lota terminais de contêineres do Porto de Santos

Demorou quase dois meses, mas os efeitos da crise financeira internacional chegaram ao Porto de Santos. Os terminais de contêineres estão praticamente lotados, atingindo uma ocupação média de 85%, o que preocupa o setor. Em alguns casos, já há autilização total da capacidade.

A crise atinge principalmente as importações realizadas pelocomplexo. Com o dólar valendo R$ 2,22 (cotação do comercial de ontem), as empresas que encomendaram produtos no exterior esperam uma queda no preço da moeda norte-americana para nacionalizálos, pois os impostos são calculados sobre a taxa do dia. A estratégia provoca uma superlotação nos pátios dos terminais de contêineres, onde esses artigos estão armazenados.

A Tribuna apurou que a média de ocupação dos pátios de importação dos terminais de contêineres santistas está em 90%. Já a das áreas destinadas às mercadorias de exportação está chegando a 80%. O problema já é visível. Basta passar pelos terminais e conferir que o empilhamento de contêineres já chega à sexta fileira. Em situações normais, com a taxa de ocupação entre 60 e 70%, o armazenamento vai até a quarta fila.

O diretor-executivo do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), José dos Santos Martins, afirmou que, de fato, a capacidade nos terminais está elevada. Entretanto, ele disse que a expectativa do setor é que os governos do Brasil e o dos principais países com os quais são mantidas relações comerciais tomem medidas para conter a moeda norte-americana e, enfim, “restaurar o fluxo de comércio exterior não somente no Porto de Santos, mas em todo o cenário internacional”.

De acordo com o diretor de Infra-estrutura e Serviços da Codesp, Paulino Moreira Vicente, o represamento dos contêineres no porto existe, porém, a “situação está contornada”. Sem precisar o impacto que a crise poderá causar na movimentação das unidades, ele disse apenas que “a operação de contêineres não deve ter um crescimento muito grande no fechamento do ano”.

De modo geral, as operações não foram interrompidas. Entretanto, somente estão sendo desembaraçadas aquelas cargas cuja nacionalização seja essencial para consumo humano e para uso industrial.

No ano passado, o cais santista movimentou 2,5 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). No início do ano, a expectativa do setor era de que 2008 fechasse com um aumento de 10% nas operações, o que não deve se confirmar a partir da turbulência internacional.

No Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi), o pátio para importação já chegou a 100% de ocupação, afirmou o diretor comercial, Luiz Araújo. Na semana passada foi mais crítico ainda, quando se alcançou entre 130% e 140% e houve a necessidade de utilizar as ruas entre as pilhas de contêineres como ponto de armazenagem. No pátio de exportação do terminal que é parcialmente dividido com as cargas que vão para os terminais retroportuários , a ocupação é da ordem de 53%.

Segundo Araújo, o tempo de permanência das cargas na instalação dobrou. Antes da crise, eram 12 horas. Para ele, a normalidade retornará quando o dólar voltar a R$ 2,05.

COMMODITIES

Se no mercado de carga conteinerizada a situação é crítica, no setor de commodities, o momento é de otimismo. As produtoras do País estão aproveitando a alta do dólar para enviar produtos ao exterior que tradicionalmente não são exportados no último trimestre do ano.

De acordo com o diretor da Codesp Paulino Moreira Vicente, neste cenário quem ganha força é o açúcar. Em queda praticamente todo o ano somente nos nove primeiros meses, houve redução de 13,2% em comparação com o mesmo período de 2007 , o produto pode salvar o movimento do cais santista.

Apesar de não ter como precisar o quanto já aumentou, Vicente contou que “os navios com açúcar, e as commodities de modo geral, não páram no porto. Entram e saem com carga o tempo todo”.

No início do ano, a Codesp previu que 2008 atingisse a movimentação de 82 milhões de toneladas. Logo depois, a expectativa caiu para 81 milhões, quase o mesmo volume do ano passado. Embora a projeção não tenha sido refeita, o diretor acredita que a movimentação física “certamente vai crescer”.

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