Crise atropela megaprojeto de etanol

A empresa, criada há pouco mais de dois anos, está à procura de um ou mais sócios dispostos a injetar pelo menos R$ 300 milhões na operação.

Com dificuldades para levantar novos recursos, a Brenco já foi obrigada a adiar o cronograma de abertura de usinas e o pagamento de fornecedores.

No fim de junho, um acordo entre os atuais acionistas definiu um aporte adicional de R$ 580 milhões, que se somaram ao R$ 1,8 bilhão investido inicialmente no negócio. O BNDES, que já havia entrado com R$ 1,2 bilhão na primeira fase, concordou em emprestar mais R$ 150 milhões na forma de debêntures conversíveis. Hoje, a participação do banco oficial é de 20% do capital.

Além do BNDES, a Brenco (sigla em inglês para Companhia Brasileira de Energia Renovável) é controlada por outros dez acionistas, brasileiros e estrangeiros.

Empresa tem nomes de peso entre acionistas

Entre os brasileiros, estão Ricardo Semler (Semco) e Philippe Reichstul (ex-Petrobras).

Do lado dos estrangeiros, Vinod Khosla, fundador da Sun Microsystems, e os ex-presidentes da AOL Steve Case e do Banco Mundial James Wolfensohn.

Em entrevista ao GLOBO, o diretor financeiro da Brenco, Alfredo Freitas, afirmou que os R$ 580 milhões adicionais serão suficientes para a implementação de quatro das 12 usinas planejadas pela empresa.

Sobre as dívidas com fornecedores, estimadas em R$ 100 mil, ele diz que existe “um novo fluxo de pagamento”.

Ainda segundo ele, a procura por um novo sócio foi a alternativa escolhida em função do fechamento do mercado de capitais, depois da crise global.

— Estamos, sim, à procura de inve! stidores estratégicos.

Além das quatro usinas que já deverão entrar em operação, temos três outros projetos estruturados, até com licenças de instalação.

Quando o projeto foi apresentado aos investidores, o barril de petróleo batia nos US$ 150 e a esperança do mundo era o biocombustível. A promessa da Brenco era atingir em 2015 a produção de 3,8 bilhões de litros de etanol, o que corresponderia a 15% da produção nacional e 4% da mundial. Mas a primeira usina, na cidade goiana de Mineiros, teve sua abertura adiada de maio para outubro. Outras três (em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) só devem entrar em operação entre fevereiro e outubro de 2010.

Sem usinas, a Brenco não tem geração de caixa. Freitas diz que, além do capital dos sócios, a empresa já fechou contrato de R$ 2 bilhões para o fornecimento de energia gerada a partir do bagaço de cana, com início em 2010.

— O negócio é extremamente viável e o mercado vai se recuperar no médio prazo.

Falta de crédito leva setor a engavetar projetos

As dificuldades do setor não são exclusivas da Brenco. Com a crise, muitos empresários tiveram de engavetar seus projetos, por falta de crédito no mercado. No setor de usinas de álcool e açúcar, dos 35 projetos inicialmente previstos para 2009, só 20 devem sair efetivamente do papel até o fim do ano.

— O problema é que eles começaram do zero, sem uma base instalada — diz um executivo do setor.

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