Crescem embarques de açúcar refinado e cristal

Cresce, aos poucos, a participação do Brasil nos embarques de açúcar refinado e cristal, de maior valor agregado. As vantagens se traduzem em maior receita, dependendo da cotação do produto no mercado internacional. O mercado mundial, porém, está limitado. Há um forte tendência de os países importadores de açúcar investir em refinarias, o que os levam a comprar o produto bruto para incentivar a industrialização no mercado doméstico.

No ano passado, a participação do açúcar tipo demerara e VHP (Very High Polarization) nas exportações brasileiras caiu, fechando em 11,85% e 57,85%, respectivamente. Em 2001, estes mesmos produtos tiveram uma participação maior, de 16,97% e 59,11%, respectivamente. Esse produtos são embarcados a granel, considerados de menor qualidade no exterior.

Os negócios com açúcar refinado e cristal, que são ensacados e têm maior valor agregado, cresceram no mesmo período. A fatia do tipo refinado e cristal fechou em 2002 em 7,38% e 22,92%, respectivamente. No ano anterior, a participação ficou em 5,63% e 18,29%.

São os preços no mercado internacional que determinam se as usinas vão direcionar sua produção para o açúcar tipo demerara ou refinado, informaram analistas de mercado ouvidos pela Procana.

Boa parte das usinas brasileiras, como a Açúcar Guarani e Da Barra, do grupo Cosan, aposta na produção de açúcar de maior valor agregado. As empresas nacionais fabricam o tipo cristal, de cor 100 e 150, vendido no exterior com prêmio que, de certa forma, concorre com o açúcar europeu. As exportações européias concentram-se no açúcar refinado granulado, conhecido como cor 45, considerado o de melhor qualidade.

Na safra passada, os prêmios para o açúcar branco chegaram a bater US$ 90 por tonelada de diferença sobre o demerara, o que estimulou as usinas brasileiras. Como o processo de industrialização é mais elaborado, quando a diferença de preços está a US$ 40 por tonelada a favor do açúcar refinado, já é vantagem para as usinas do país investirem no produto de melhor valor agregado.

Mesmo limitado, o volume de açúcar branco responde por até 40% do total negociado no mercado mundial livre, de 36 milhões de toneladas, de acordo com analistas de mercado. Contudo, muitos países preferem importar o açúcar VHP ou demerara para refiná-lo em seus países.

Segundo dados da União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo —Unica, os embarques de açúcar a granel (demerara e VHP) ficam, historicamente, entre 60% e 65% da oferta total. Os volumes ensacados (cristal e refinado) representam o restante, de 35% a 40%.

Usinas investem na diversificação de mercados

Com forte consolidação no exterior, as usinas de açúcar e álcool do Brasil começam a prestar mais atenção no mercado interno. O varejo está ganhando um peso importante para empresas brasileiras que concentram boa parte de seus negócios na exportação. A diversificação dos negócios é uma alternativa das empresas para incrementar seus contratos quando os preços internacionais do açúcar estão baixos no mercado internacional.

Depois de adquirir a usina Da Barra, localizada em Barra Bonita (SP), o Grupo Cosan quer direcionar seu foco também para o mercado interno. Maior exportador individual de açúcar do país, o grupo decidiu criar um núcleo para consolidar sua presença no varejo. Para isso, contratará uma equipe de executivos para investir neste segmento. A marca Da Barra será o carro-chefe. Toda a estratégia será traçada em 2003 para entrar em prática em 2004. Hoje a marca União é líder absoluta neste setor.

Cosan busca maior presença no mercado interno

Com a aquisição feita no ano passado, o grupo Cosan abocanhou 20% de participação no mercado interno com a venda do açúcar cristal e refinado, álcool gel e líquido e achocolatado. Novos produtos deverão ser lançados. A forte presença da Cosan no Estado de São Paulo — são 12 usinas no total —, com um canal de distribuição estratégico, será uma das vantagens no investimento no varejo. O grupo pretende utilizar sua atual infra-estrutura para aumentar sua participação no mercado doméstico. No ano passado, o grupo fechou com faturamento de R$ 1,8 bilhão. A companhia produziu 800 milhões de litros de álcool e cerca de 2 milhões de toneladas de açúcar, das quais 500 mil toneladas foram destinadas ao mercado doméstico e o restante para o exterior.

Também com forte presença no varejo, a Açúcar Guarani, que comercializa a marca Guarani no mercado interno, deve investir no aumento da capacidade de produção de sua refinaria para ampliar seus negócios. A companhia, com duas usinas sucroalcooleiras em São Paulo, vai duplicar nos próximos anos a capacidade de produção de sua fábrica, a Cruz Alta, de Olímpia (SP), com uma oferta atual de dois milhões de sacas de açúcar refinado.

Com a aquisição da usina Santa Cruz, no Rio de Janeiro, o Grupo J. Pessoa herdou também um importante mercado no varejo carioca. O mercado de açúcar no Rio de Janeiro é o segundo maior consumidor no país, atrás de São Paulo, o que abriu espaço para a expansão dos negócios do grupo no varejo – atualmente concentrados na produção de álcool anidro e hidratado.

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