Crédito para o agronegócio perde força

Dinheiro mao

O crédito para o agronegócio na região de Ribeirão Preto cresceu menos nos últimos 12 meses –março de 2013 a março deste ano– em relação ao restante da região, do Estado e do país.

Os números constam de levantamento da Fundace (Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia), ligada à FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto), da USP.

De acordo com dados do “Boletim do Crédito”, apesar de liderar o maior valor de créditos obtidos para o agronegócio na comparação com outras regiões, o volume de financiamentos vem perdendo força em Ribeirão e região.

Isso reflete na geração de empregos, cujo resultado neste ano é o pior da história (leia texto nesta página).

Em um ano, a região, composta por 25 cidades, registrou aumento nos créditos de 9,4%. A quantia financiada foi de R$ 5,05 bilhões, em março de 2013, para R$ 5,53 bilhões, em março deste ano.

Em Ribeirão Preto, o incremento foi de 7,6%.

Os valores referentes a março de 2013 foram corrigidos pela inflação do período.

Ambos os desempenhos são piores que o crescimento registrado no Brasil (24%), no Estado de São Paulo (22%) e no interior paulista (19%).

As informações foram baseadas em dados do Banco Central –referentes a março, mas publicados neste mês.

De acordo com professores da Fundace, o crescimento menor no número de financiamentos é reflexo da crise do setor sucroalcooleiro.

Crise

O baixo crescimento do crédito decorre, segundo o boletim, da crise que o setor enfrenta, com a desativação de mais de 60 usinas desde 2008 e de 66 unidades em recuperação judicial.

Segundo o professor da FEA-RP Luciano Nakabashi, enquanto o governo não adotar uma política a favor do setor, a situação tende a piorar.

A Petrobras tem sido obrigada a vender gasolina a preços mais baixos que os necessários para cobrir os custos com o petróleo que importa. Com o “subsídio” ao preço da gasolina, o governo evita uma alta maior da inflação.

Por isso, o etanol perde competitividade. “Enquanto essa política persistir, o crescimento do crédito continuará fraco”, disse Nakabashi.

Representante da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar) em Ribeirão Preto, Sérgio Prado afirmou que as indústrias não conseguem financiamentos por causa das altas dívidas.

“Isso deixa as empresas com um risco grande de inadimplência”, afirmou.

De acordo com ele, a crise do setor é “profunda e sem precedentes”, o que afeta toda a cadeia produtiva.

Fonte: Folha de S. Paulo

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