Crédito para exportações não chega ao mercado, diz embarcador

Para Pedro Cortês, diretor da Energy, empresa especializada na exportação conteinerizada de açúcar e arroz, os R$ 5 bilhões que o Governo Federal liberou para financiar as exportações “são só para colocar no jornal, porque os bancos estão aplicando esse dinheiro e não repassam para o mercado”.

A afirmação foi feita ontem, em entrevista ao Guia Marítimo.

No dia 8 deste mês, o ministro Guido Mantega anunciou R$ 5 bilhões para linhas de crédito para pré-embarques.

Em contêiner, a Energy exporta açúcar há 3 anos e, neste exercício, passou a utilizar a modalidade com o arroz. A carga é embarcada 85% em Santos, 10% em Suape e o restante sai do Brasil pelos portos de Itajaí, Paranaguá, Vitória, Salvador e Natal.

De acordo com Cortês, a crise internacional não irá afetar as projeções da empresa.

“Infelizmente, ou felizmente, produtos de consumo básico, como o açúcar, não são afetados pela escassez de crédito. Ninguém deixa de consumir açúcar”, e enfatizou: “Quanto pior o dólar está para o País, melhor para nós”.

Segundo o diretor da Energy, a grande vantagem de se exportar açúcar e arroz em contêiner é que se reduz o risco em um momento de crise. “Além da grande perda que existe no transporte em carga solta, o exportador precisa colocar cargas de pelo menos R$ 7 milhões, já no contêiner é possível começar com R$ 100 mil”, disse.

Neste ano, a Energy exportou 250 mil toneladas de açúcar e 25 mil de arroz.

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