Cosan aguarda queda de preço nas usinas

O presidente da Cosan, Marcos Lutz, disse que a Cosan deverá continuar seu papel de consolidadora do setor sucroalcooleiro no médio prazo. Segundo ele, à medida que os maiores negócios estão sendo realizados e os potenciais compradores vão diminuindo, os preços das usinas existentes deverão recuar, tornando atrativas mais aquisições pelo seu grupo. Lutz explicou, em teleconferência com analistas, que com isso a Cosan gerará mais valor para o capital empregado.

Balanço divulgado pela empresa informa que seu lucro líquido situou-se em R$ 173,4 milhões no segundo trimestre da safra 2009/10, que engloba os meses de julho, agosto e setembro. A receita líquida alcançou R$ 3,58 bilhões, alta de 95% ante igual período da safra anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi recorde, de R$ 355,7 milhões, com margem de 9,9%.

Lutz informou que, ao contrário do resultado do ano anterior, quando 100% da receita vieram do setor de açúcar e etanol, o resultado deste segundo trimestre da safra veio 67% da venda de combustíveis e lubrificantes, 31% de açúcar e etanol e 2% dos demais produtos.

O perfil do destino dos produtos da Cosan também mudou. As vendas agora estão concentradas 83% no mercado interno e 17% no mercado externo. No ano anterior, antes da incorporação da Cosan Combustíveis e Lubrificantes (ex-Esso), as vendas para o mercado externo ficaram em 30%.

O diretor de tesouraria da Cosan, Guilherme Prado, disse que a Cosan possui R$ 3 bilhões em linhas de crédito disponíveis que ainda não foram utilizadas junto às instituições financeiras. Segundo ele, o perfil da dívida da empresa mudou e apenas 5% do total da dívida estão concentrados no curto prazo. “O restante da dívida foi alongado”, disse ele, inclusive a dívida de R$ 1,1 bilhão referente à compra da Esso que a! Cosan tem para com o Bradesco. Segundo o executivo, a dívida com o Bradesco foi totalmente refinanciada em uma operação concluída na última quinta-feira.

Além disso, a empresa recebeu US$ 100 milhões vindos de linhas de pré-pagamento de exportação e está para efetivar a liberação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele disse também que a geração de caixa da Cosan deve ser beneficiada, nos próximos trimestres, pela venda de estoques orçados em R$ 1,5 bilhão.

Lutz estima que os próximos trimestres serão mais positivos em termos de preços para os produtos da Cosan, o que deverá manter os lucros. Ele disse também que, se a mistura de 25% de anidro for mantida na gasolina, não haverá desabastecimento do produto. Ele acredita que os preços mais firmes deverão levar o setor a produzir mais anidro e mesmo desidratar etanol hidratado para colocar o produto no mercado. (Com Agência Estado)

X