Consumo de álcool resiste a aumento de preço

O consumo de álcool combustível não foi afetado, em fevereiro, pela alta no combustível. O volume de álcool comercializado pelas empresas vinculadas ao Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) caiu apenas 3 milhões de litros – ou 1,3% – entre janeiro e fevereiro, passando de 220 milhões para 217 milhões de litros. Pelo critério de média diária de consumo, ao contrário de queda, o volume comercializado em fevereiro (7,75 milhões de litros) foi 9% superior ao de janeiro (7,09 milhões de litros).

Ainda sem os dados referentes às vendas de março – mês em que começou a vigora a redução da mistura de álcool na gasolina de 25% para 20% -, o vice-presidente executivo do Sindicom, Alísio Vaz, diz que a percepção no setor é de elas estão 30% a 50% abaixo da previsão das distribuidoras.

Como quase tudo no setor de álcool, alguns indicadores são conflitantes. Com 75% do mercado nacional de gasolina, as filiadas ao Sindicom comercializaram apenas 54,3% dos 4,6 bilhões de litros de álcool hidratado consumidos no Brasil em 2005.

Entre as empresas filiadas ao Sindicom, as vendas totais de álcool hidratado (já misturado à gasolina) cresceram 39,1% no acumulado de janeiro e fevereiro comparadas ao mesmo período do ano passado. Em São Paulo, o percentual é maior ainda, com aumento de 57% nas vendas comparadas a 2005.

Alísio Vaz diz que uma grande parte desse incremento é resultado do “boom” de carros flex (que permitem ao consumidor escolher se usa álcool ou combustível), mas ressalta que outros dois fatores contribuíram para o que ele chama de “migração para a legalidade” no mercado de álcool.

Estes fatores são o uso de corante laranja exigido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) desde o dia 6 de janeiro e a decisão da Secretaria de Fazenda de São Paulo , que estabeleceu cotas para isenção do ICMS sobre as compras de álcool anidro (sem mistura), cujo imposto só é cobrado na venda da gasolina C, já misturada. O governo paulista determinou que a isenção do ICMS só é válida para volumes proporcionais às compras, pela distribuidora, de gasolina A nas refinarias da Petrobras.

O álcool anidro, que tem 99% de pureza contra os 93% do hidratado, vinha sendo comprado por algumas distribuidoras diretamente das usinas para venda direta nos postos de combustíveis depois de misturado com água formando o chamado “álcool molhado” que era vendido como hidratado.

É como o setor apelidou o produto ilegal que dentro dos tanques dos carros a álcool e flex causam estragos nesses veículos. Com situação tributária igual, aumentam as vendas das distribuidoras que operam no mercado formal, assim como os preços médios. “Com o aumento do combate às fraudes, o preço sobe, já que antes era aviltado pela sonegação”, explica Vaz.

É justamente essa migração do álcool em direção à formalidade que dificulta uma medição mais acurada dos efeitos, sobre as vendas, da altade preços e da redução da mistura na gasolina. Ela também dificulta avaliar quanto o aumento dos preços está influenciando a decisão dos 1,5 milhão de motoristas que têm carro flex na hora de abastecer.

O executivo de uma grande distribuidora admite a dificuldade de mapear a queda do consumo de álcool hidratado porque as distribuidoras não sabem qual combustível os donos de carros flex utilizavam antes. Mas prevê uma queda de 20% nas vendas de álcool.

Alísio Vaz, do Sindicom, observa que relação de custo benefício entre o álcool hidratado e a gasolina, já pende para o derivado de petróleo. Isso porque o uso do álcool só é vantajoso se custar até 70% do preço da gasolina. “Para rodar 1 Km com álcool os carros consomem 30% mais combustível do que se rodarem a mesma distância com gasolina”, explica Vaz.

Uma pesquisa do Sindicom feita com base nos últimos dados da ANP – relativos à semana de 26 de fevereiro a 4 de março – mostra que, com base nesse princípio, o uso do álcool só continua sendo vantajoso em quatro estados: Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso e Ceará. Nesses, o preço do álcool continua equivalendo a menos de 70% do da gasolina. Em Minas Gerais, Pará e Rio Grande do Sul essa proporção é pequena, o que segundo as distribuidoras já não compensa o consumo de álcool.

A elevação dos preços do álcool hidratado é facilmente notada na pesquisa semanal de preços da ANP. Entre a primeira semana de fevereiro e a primeira de março o preço em São Paulo aumentou 11,58% na bomba. Comparando-se os últimos preços pesquisados pela ANP (até 4 de março) com a semana anterior (de 19 a 25 de fevereiro) o aumento médio para o consumidor paulista é de 8,94%.

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