Confira como 8 presidenciáveis avaliam o setor sucroenergético

Oito presidenciáveis participaram do Unica Fórum 2018, evento realizado na segunda-feira (18/06) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) na capital paulista.

O JornalCana cobriu o evento e relata a seguir avaliações dos oito pré-candidatos sobre o setor sucroenergético. Cada um deles apresentou suas propostas políticas por 15 minutos e tiveram mais 15 minutos para responder a questionamentos do apresentador William Waack e dois debatedores, um deles ligado diretamente ao setor sucroenergético.

 

“É preciso tirar a interferência estatal”

João Amôedo, do Partido Novo

“Temos grandes problemas [que também afetam o setor sucroenergético]. Um deles é a falta de planejamento de longo prazo para a questão energética. As soluções são sempre no curto prazo. [Outro problema é que] interfere-se muito. Os preços não podem ser feitos pelo Estado.

Gostaria de dar segurança jurídica, reduzir a interferência do Estado e fazer o equilíbrio das contas para reduzir custo de capital e atrair investimentos. E também tirar a interferência estatal. O setor sucroenergético é produtivo e Estado não pode atuar nele, atrapalhar.”

Sobre o RenovaBio: “Gosto do desenho, de ter certificados independentes, de ter Bolsa para equilibrar os preços. O desafio é a execução, implementação, com horizonte de longo prazo. Tudo isso passa por mudança política. Não há salvadores da Pátria. Todos temos nossa lição de casa.”

 

“É preciso dar liberdade ao setor”

Paulo Rabello, do PSC

“Enquanto estamos aqui para discutir este estratégico setor, não podemos ficar presos ao RenovaBio. É o conjunto que está errado, no qual está inserido o setor sucroenergético.

Recado para o setor: a plataforma planetária que o Brasil tem e não pode desperdiçar. E a meta ambiental que precisa ser prioridade do país. Tem ganhado ênfase a legislação do RenovaBio. Gosto. Estabelece a neutralidade, mas a área financeira do setor, que vem de forte endividamento, sem investir, precisa investir em novas tecnologias. [É preciso tomar uma medida], que é dar ao setor a liberdade de produção e comercialização. [Acabar com o] passeio do etanol para lá e para cá.

O Brasil é verde. E este setor é eminentemente verde. Não tenho dúvida de que esse setor seria vencedor, o que deveria ser desde 1974. Qual o diagnóstico? O governo é inimigo do desenvolvimento nacional.

O governo precisa governar para a liberdade. A Petrobras é a inimiga pública número 1 do setor. Faz guarda-chuva confortável em momentos e em outros tira.”

 

“Temos que defender nossos interesses”

Henrique Meirelles, do MDB

Barreiras tarifárias de outros países, que também afetam o açúcar e o etanol: “Acho inaceitável que o Brasil deixe e aceite a existência de todas as restrições, como a taxação ao etanol. Mas quero dizer o ponto: comércio internacional é duro. Não podemos ficar esperando que sejam bonzinhos. Temos que defender nossos interesses com firmeza. Veja a China e os EUA: os chineses retaliaram imediatamente e os americanos pararam para pensar.

Vamos defender o que fazemos e contra-atacar os que nos impõem sanções. Temos que defender nossos interesses. Fazer negociação dura com cada um desses países.

RenovaBio: “é positivo, mas como todos os programas governamentais têm de ser bem pensado. Isso na regulamentação, para garantir o aumento da produtividade. A dúvida no Ministério da Fazenda é que houve tanta concessão no governo anterior sem resultados e que custaram muito ao País. É preciso trabalho conjunto para implementar o RenovaBio para o biocombustível representar papel de grande importância. Ele tem grande benefício climático, gera empregos.”

 

“RenovaBio é iniciativa extraordinária”

Ciro Gomes, do PDT

“O Brasil precisa de um novo projeto nacional de desenvolvimento. Não sabe para onde vai em nenhum setor. Reindustrializar o país é uma das bandeiras que eu defendo. Sem parceria estratégica com o estado não dá.

Há grandes alternativas para reindustrializar o país. O Brasil pode ter protagonismo global em biocombustíveis. Não é trivial. Não pode rivalizar alimentos com cana, como antes. O RenovaBio é iniciativa extraordinária. A relevância é que teremos um recebível que tende a se valorizar.

Credibilizar exige um governo que seja emissor. O mercado de capitais não pode ser cassino [na negociação dos créditos de carbono, os CBios]. O tormento é achar um equilíbrio, que exige interatividade, com política de preços. Da frota de veículos, 70% é de flex. Quero discutir isso dentro do projeto de reindustrializar o país.”

 

“Para ser viável, o RenovaBio precisa ser econômico e social”

Marina Silva, do Rede

O RenovaBio nos colocará em situação de contribuir com os acordos assumidos em relação às emissões de CO2. Estávamos preparados para este momento. E podemos fazer mais, desde que tenhamos visão estratégica.

O Brasil tem papel a ocupar no cenário mundial de investimentos.

Para cumprir e abrir espaço para os biocombustíveis teremos que cumprir o dever de casa. Mesmo que haja a certificação. Atendemos a essa demanda sem que isso signifique prejudicar o setor. Para ser viável, o projeto precisa ser econômico e social. Não tenho problema em fazer reforma trabalhista e integrar os hoje desempregados.

A indústria sucroenergética não pode ficar à mercê de situações porque boa parte da crise é por conta da excessiva intervenção. Não dá para prescindir das fontes fósseis, mas temos de trabalhar por imperativo ético que são as mudanças climáticas. Não pode ser repassado todo dia alterações de preços de combustíveis nas bombas de posto.”

Precisamos de menos leis, mas a que criou o RenovaBio é bem-vinda

Jair Bolsonaro, do PSL

O Brasil precisa de menos leis, mas essa [que criou o RenovaBio] é bem-vinda. É

/preciso dar prosseguimento [ao compromisso do governo] assinado na França.

Quem fará isso serão pessoas isentas para buscar a implementação. Deixo bem claro: o etanol, a cana, regredindo tem que ter área [para crescer].

[Mas estamos] sem segurança jurídica, que relativizou a propriedade privada, o aparelhamento do judiciário. Temos que mudar. Quanto mais independência de energia, melhor. E até mesmo exportar. A regulamentação ocorrerá, sim.

 

 

 

“Há parte ambientalista que vende lá fora que o Brasil é inimigo da natureza”

Aldo Rebelo, do Solidariedade

“O RenovaBio, que está em regulamentação: é um pré-compromisso de um pré-candidato em valorizar e proteger esse programa.

[A bioeletricidade tem] importância na formação da matriz energética. Há uma parte ambientalista, vinculada a interesses de outros países, que vende lá fora que o Brasil é inimigo da natureza.

Quem não faz, manda em quem faz. Quem não produz manda em quem produz.

Sou nacionalista e quero meu país forte economicamente, recolhendo tributos de quem produz. Aqui se dá um abismo entre setor privado e público.

A China é quem tira mais gente da pobreza e cria mais milionários. O Estado é importante nos gargalos de ciência e tecnologia e inovação. É responsabilidade que tem de ser do Estado.

Disputa no mercado internacional: Brasil precisa de Estado forte como está no documento da Unica [disponibilizado aos participantes do Unica Fórum 2018].”

 

“RenovaBio não é subsídio, mas indutor”

Geraldo Alckmin, do PSDB

“O RenovaBio não é subsídio, mas indutor, reconhecedor da importância do setor sucroenergético para poder dobrar a produção de etanol. E até para ajudar o Brasil a reduzir a importação de gasolina. Frear [essa importação é necessário] pela dificuldade de refino de petróleo.

Todo apoio ao RenovaBio, que é um reconhecimento do setor. Energia limpa, verde.

O setor do agronegócio é um exemplo de tecnologia. Onde a cana foi, gerou renda.”

 

 

 

Contatos com o autor deste conteúdo: delcymack@procana.com.br

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