Companhia Albertina busca negociação de dívida

A Companhia Albertina, usina de açúcar e álcool de Sertãozinho, SP, entrou esta semana com um pedido de recuperação judicial para negociar uma dívida de aproximadamente US$ 100 milhões com credores. De acordo com assessor financeiro da empresa, Gabriel Andrade, a decisão é uma estratégia natural, com o objetivo de buscar um ambiente mais propício para negociação de dívidas, além de preservar as atividades operacionais da usina.

Segundo Andrade, a Companhia Albertina administrava uma dívida compatível ao seu nível de rentabilidade. No entanto, houve um descompasso entre o tamanho dessa dívida e a capacidade de geração de caixa, atribuído ao aumento dos custos de produção – logística, insumos agrícolas, etc. – que se somaram à queda do preço do açúcar e o aumento do dólar.

A situação chegou a seu ponto crítico com a proximidade das datas de vencimento dos contratos, momento em que a companhia, sem liquidez, procurou os credores para buscar a negociação, “antes que virasse uma bola de neve”, observou Andrade. Durante três meses, a companhia sugeriu acordos para pagamento das dívidas, condições aceitas pela maior parte dos credores.

No entanto, segundo Andrade, uma peque parte não aceitou as condições da usina e ingressou com ações na justiça. “A decisão da companhia de entrar com o pedido de recuperação judicial vai preservar, em primeiro lugar, os cerca de 1,7 mil funcionários, os próprios credores e as atividades operacionais da usina, que continua a funcionar normalmente”, disse.

Andrade não estabeleceu prazo para a regularização das dívidas, mas afirma que as negociações já estão avançadas. Ele disse que a companhia nunca deixou de cumprir seus contratos, desde sua fundação, há mais de 80 anos.

A Companhia Albertina deve fechar esta safra com a moagem de 1,5 milhão de toneladas de cana, para produção de três milhões de sacas (50kg) de açúcar. A capacidade diária de moagem é de sete mil toneladas, com produção de até 18 mil sacas de açúcar (900 TM) e 350 mil litros de etanol. A área cultivada corresponde a 18 mil hectares, sendo 9,2 mil ha de cana própria e 8,8 mil ha de fornecedores.

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