Com renda agrícola em alta, irrigação cresce 5% em 2012

A área agrícola irrigada no país aumentou em 5% no ano passado, para 4,724 milhões de hectares, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Já o faturamento das fabricantes cresceu 26,3% e alcançou R$ 1,2 bilhão.

O crescimento é impulsionado pelo bom momento vivido pela agricultura, com os preços dos grãos e a renda em patamares elevados. Diante da expectativa de manutenção do cenário positivo, as fabricantes associadas à Abimaq esperam faturar entre 20% e 25% a mais também em 2013.

Segundo Antônio Alfredo Teixeira Mendes, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq, a tendência é que as lavouras de grãos, café e hortifrutigranjeiros continuem a absorver a maior parte dos investimentos nesse tipo de equipamento.

No ano passado, as vendas de pivôs centrais para plantações de grãos, principalmente para as lavouras de soja, tiveram crescimento de 50%. A adoção de sistemas de irrigação por gotejamento para as lavouras de café cresceu de 30% a 35% – considerando-se todas as culturas, esse sistema avançou 20% a 25% em 2012. A Abimaq também chama atenção para a forte demanda por sistemas de aspersores em pastagens formadas para a pecuária leiteira.

O único segmento agrícola a observar uma retração nas vendas foi a citricultura, em virtude da descapitalização do agricultor diante dos baixos preços da laranja em meio à crise de superoferta que atravessa o setor. Em relação às lavouras de cana-de-açúcar, Mendes explica que apenas os grandes grupos empresariais prosseguiram com investimentos.

Na avaliação do representante, a agricultura tecnificada passou a olhar a irrigação de maneira diferente. “Deixou de ser nicho”, comenta. Segundo ele, a adoção de pivôs centrais representa, em média, um custo de R$ 3.700 por hectare e o gotejamento, de R$ 3.900 por hectare. Valores que, por sua vez, são compensados com os ganhos de produtividade calculados entre 20% e 25%, ou índices maiores dependendo das condições de plantio.

Segundo Mendes, as lavouras de soja e de milho do Sul representaram a maior demanda por pivôs centrais – 230 unidades para a região entre as 1300 vendidas no país em 2012 – em virtude das secas que afetaram os Estados da região nos últimos tempos.

A empresa gaúcha Focking, uma das principais do país e que atua com pivôs centrais, projeta que vai atender neste ano cerca de 30% do mercado nacional, ante os 20% atuais. Sem informar investimentos, a companhia deverá ampliar a capacidade de produção de 400 equipamentos para 550 a 600 deles.

Segundo o diretor-superintendente Siegfried Kwast, as vendas da companhia cresceram 160% no ano passado, puxadas pela necessidade de irrigação das lavouras de milho no Sul, de feijão no Sudeste e Centro-Oeste, além de áreas de pastagens. Para este ano, Kwast prevê expansão na irrigação para as lavouras de cana-de-açúcar, que registraram quebra na safra devido ao clima adverso.

A empresa que atua em 11 negócios diferentes, atribui à irrigação com pivô central cerca de 30% do faturamento total do grupo, que no ano passado foi de R$ 240 milhões. Para ele, a tecnologia, antes vista como “gastadora de água”, conseguiu reverter essa imagem ao reduzir o consumo por conta da maior eficiência no uso do recurso.

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