Com dólar em queda, EUA exportam etanol

Subsídios e proteção comercial, além de uma obrigatória mistura à gasolina, continuam a ser os ingredientes dos EUA para avançar no mercado mundial de etanol. O país ultrapassou o Brasil como maior produtor mundial do combustível limpo em 2006.

Neste ano, graças especialmente ao dólar desvalorizado, vão se aproximar da liderança brasileira dessas exportações (uma consultoria, a F.O. Licht, diz que os EUA passaram o Brasil no primeiro semestre, mas outros estudos dizem que a ultrapassagem ainda não ocorreu).

De janeiro a setembro, 949 milhões de litros de etanol foram embarcados, inclusive para o Brasil, responsável pelo fornecimento de 1,330 bilhão de litros ao exterior. “Preferimos não exportar e atender a demanda doméstica em crescimento. Queremos ser um setor exclusivamente nacional, que gera empregos no país e se mostra capaz de abastecê-lo”, disse Matt Hartwig, diretor de Relações Públicas da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês).

Mas, este ano, as movimentações do setor mostraram uma inédita preferência pela exportação. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) está ciente de que a concorrência americana não será apenas esporádica e, por enquanto, não reclama. Nas contas da RFA, as exportações americanas devem somar 1,247 bilhão de litros em 2010, contra a estimativa da Unica de embarque de 2,750 bilhões de litros de etanol brasileiro.

“Os EUA podem se tornar apenas exportadores ocasionais de etanol, como acontece neste ano. Com a perspectiva de demanda interna americana, é muito difícil imaginar essa liderança”, afirmou Marcos Jank, presidente da Unica, em Washington. “O Brasil é o único País em condições de ser exportador estrutural de etanol. Mas isso depende da redução do protecionismo, a começar pela eliminação da tarifa de importação e do subsídio com que os EUA beneficiam seu setor de etanol”, completou.

Arrancada. A produção americana de etanol deu uma arrancada a partir de 2006, graças ao custo de capital baixíssimo, à decisão do governo de obrigar a mistura de 12,5 bilhões de galões à gasolina ao ano, à tarifa de importação de US$ 0,54 por galão, ao subsídio de US$ 0,45 por galão misturado à gasolina e às subvenções à produção de milho. Os EUA hoje abrigam 200 usinas, responsáveis pela produção de 40,1 bilhões de litros em 2009. O volume foi mais do que o dobro da fabricação total nas 400 usinas brasileiras no período, de 17,7 bilhões de litros.

Em artigo, o presidente da RFA, Tom Dinneen, tratou o limite de adição de 10% de etanol à gasolina como uma “barreira interna” ao setor. A demanda doméstica americana, hoje estacionada nos 12,5 bilhões de galões anuais, tem potencial de atingir 47,2 bilhões ou até 51,0 bilhões antes de 2022, em seus cálculos, se o limite for elevado. Hoje, a indústria americana do etanol tem capacidade de atingir a produção de 47,2 bilhões de galões e ainda conta com projetos que a expandiria em mais 1,2 bilhão de galões, informou Dinneen.

Para isso, o Departamento de Energia terá de aprovar a demanda pela elevação do limite de adição a 15% ou até mesmo a 20%. A medida está em fase de estudos, que envolvem testes nos carros americanos, e não tem prazo para ser concluída. Mas, uma vez posta em prática, restringirá a capacidade exportadora americana. Além disso, sempre haverá a limitação dada pela safra de milho, destinada em boa parte ao setor produtor de carnes.

Preço. Hartwig reconhece que o contínuo aumento dos preços do milho terá interferência na produção e na exportação futura de etanol. Neste ano, a cotação internacional do milho cresceu 39%. A colheita da terceira maior safra de milho da história em 2011 alimenta a previsão de preços menores no próximo ano. Mas, como lembra Jank, o etanol da cana continua a ter uma produtividade por hectare duas vezes maior do que o de milho.

O dólar desvalorizado, segundo o diretor da RFA, foi uma motivação especial para o setor buscar o mercado externo. A importação do produto pelo Brasil deveu-se ao aumento da demanda doméstica no primeiro semestre, somado a uma safra menor e ao dólar desvalorizado. Segundo a Unica, essas compras são sempre esporádicas. Em setembro, não aconteceram.

O mercado interno, entretanto, é um fator ainda decisivo para o comércio exterior de etanol de ambos os concorrentes. Em 2008, por exemplo, a quebra da safra de milho obrigou os EUA a importar 1,519 bilhão de litros de etanol do Brasil. Em 2006, quando foi adotada a mistura obrigatória à gasolina, a importação do combustível brasileiro atingiu 1,749 bilhão de litros. No ano passado, essa compra foi de apenas 270 milhões.

Mesmo ocasional, a briga entre Brasil e EUA pelo mercado internacional de etanol terá no custo de produção o seu fator preponderante. Segundo Joel Velasco, representante da Unica para a América do Norte, até 2009, o etanol brasileiro alcançava o porto de Nova York a um preço de US$ 1,85 por galão, enquanto o custo final do americano era de US$ 2,15. Mesmo sem tarifas e subsídios, o preço do combustível brasileiro custaria US$ 0,06 a mais que o americano, nas contas da RFA.

Com dólar em queda, EUA exportam etanol

Subsídios e proteção comercial, além de uma obrigatória mistura à gasolina, continuam a ser os ingredientes dos EUA para avançar no mercado mundial de etanol. O país ultrapassou o Brasil como maior produtor mundial do combustível limpo em 2006.

Neste ano, graças especialmente ao dólar desvalorizado, vão se aproximar da liderança brasileira dessas exportações (uma consultoria, a F.O. Licht, diz que os EUA passaram o Brasil no primeiro semestre, mas outros estudos dizem que a ultrapassagem ainda não ocorreu).

De janeiro a setembro, 949 milhões de litros de etanol foram embarcados, inclusive para o Brasil, responsável pelo fornecimento de 1,330 bilhão de litros ao exterior. “Preferimos não exportar e atender a demanda doméstica em crescimento. Queremos ser um setor exclusivamente nacional, que gera empregos no país e se mostra capaz de abastecê-lo”, disse Matt Hartwig, diretor de Relações Públicas da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês).

Mas, este ano, as movimentações do setor mostraram uma inédita preferência pela exportação. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) está ciente de que a concorrência americana não será apenas esporádica e, por enquanto, não reclama. Nas contas da RFA, as exportações americanas devem somar 1,247 bilhão de litros em 2010, contra a estimativa da Unica de embarque de 2,750 bilhões de litros de etanol brasileiro.

“Os EUA podem se tornar apenas exportadores ocasionais de etanol, como acontece neste ano. Com a perspectiva de demanda interna americana, é muito difícil imaginar essa liderança”, afirmou Marcos Jank, presidente da Unica, em Washington. “O Brasil é o único País em condições de ser exportador estrutural de etanol. Mas isso depende da redução do protecionismo, a começar pela eliminação da tarifa de importação e do subsídio com que os EUA beneficiam seu setor de etanol”, completou.

Arrancada. A produção americana de etanol deu uma arrancada a partir de 2006, graças ao custo de capital baixíssimo, à decisão do governo de obrigar a mistura de 12,5 bilhões de galões à gasolina ao ano, à tarifa de importação de US$ 0,54 por galão, ao subsídio de US$ 0,45 por galão misturado à gasolina e às subvenções à produção de milho. Os EUA hoje abrigam 200 usinas, responsáveis pela produção de 40,1 bilhões de litros em 2009. O volume foi mais do que o dobro da fabricação total nas 400 usinas brasileiras no período, de 17,7 bilhões de litros.

Em artigo, o presidente da RFA, Tom Dinneen, tratou o limite de adição de 10% de etanol à gasolina como uma “barreira interna” ao setor. A demanda doméstica americana, hoje estacionada nos 12,5 bilhões de galões anuais, tem potencial de atingir 47,2 bilhões ou até 51,0 bilhões antes de 2022, em seus cálculos, se o limite for elevado. Hoje, a indústria americana do etanol tem capacidade de atingir a produção de 47,2 bilhões de galões e ainda conta com projetos que a expandiria em mais 1,2 bilhão de galões, informou Dinneen.

Para isso, o Departamento de Energia terá de aprovar a demanda pela elevação do limite de adição a 15% ou até mesmo a 20%. A medida está em fase de estudos, que envolvem testes nos carros americanos, e não tem prazo para ser concluída. Mas, uma vez posta em prática, restringirá a capacidade exportadora americana. Além disso, sempre haverá a limitação dada pela safra de milho, destinada em boa parte ao setor produtor de carnes.

Preço. Hartwig reconhece que o contínuo aumento dos preços do milho terá interferência na produção e na exportação futura de etanol. Neste ano, a cotação internacional do milho cresceu 39%. A colheita da terceira maior safra de milho da história em 2011 alimenta a previsão de preços menores no próximo ano. Mas, como lembra Jank, o etanol da cana continua a ter uma produtividade por hectare duas vezes maior do que o de milho.

O dólar desvalorizado, segundo o diretor da RFA, foi uma motivação especial para o setor buscar o mercado externo. A importação do produto pelo Brasil deveu-se ao aumento da demanda doméstica no primeiro semestre, somado a uma safra menor e ao dólar desvalorizado. Segundo a Unica, essas compras são sempre esporádicas. Em setembro, não aconteceram.

O mercado interno, entretanto, é um fator ainda decisivo para o comércio exterior de etanol de ambos os concorrentes. Em 2008, por exemplo, a quebra da safra de milho obrigou os EUA a importar 1,519 bilhão de litros de etanol do Brasil. Em 2006, quando foi adotada a mistura obrigatória à gasolina, a importação do combustível brasileiro atingiu 1,749 bilhão de litros. No ano passado, essa compra foi de apenas 270 milhões.

Mesmo ocasional, a briga entre Brasil e EUA pelo mercado internacional de etanol terá no custo de produção o seu fator preponderante. Segundo Joel Velasco, representante da Unica para a América do Norte, até 2009, o etanol brasileiro alcançava o porto de Nova York a um preço de US$ 1,85 por galão, enquanto o custo final do americano era de US$ 2,15. Mesmo sem tarifas e subsídios, o preço do combustível brasileiro custaria US$ 0,06 a mais que o americano, nas contas da RFA.

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