Clima turva projeções para safra de cana

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A cinco meses de iniciar a próxima safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul, o mercado se desdobra para conseguir antecipar quanto haverá de cana disponível para moagem, em um mercado ávido por notícias. As previsões de safra hoje variam de consultoria para consultoria e vão desde 530 milhões de toneladas a 650 milhões de toneladas, uma diferença de 120 milhões de toneladas, quase duas vezes a safra do Nordeste.

No centro da questão, obviamente, está o imponderável: a condição climática. As lavouras de cana-de-açúcar do Centro-Sul, que nas últimas duas a três safras, padeceram de baixos investimentos por causa da crise no setor, tiveram neste ano um agravante negativo: uma estiagem de praticamente cinco meses, que atrofiou o desenvolvimento da planta que foi (ou deveria ser) colhida neste ano e, obviamente, a que será processada a partir de abril de 2011. Por isso, é fundamental, dizem especialistas, que haja chuvas regulares até março e abril do ano que vem para que haja uma boa recuperação.

A boa notícia é que é justamente esse o cenário previsto pela meteorologia. Já neste mês de novembro, estão previstas chuvas dentro da média todos os Estados que tem áreas de cana no Centro-Sul, inaugurando a volta das precipitações dentro da média histórica.

“Em outubro, a seca foi aliviada, mas com chuvas abaixo da média. Em Ribeirão Preto, por exemplo, choveu 65 milímetros no mês de outubro, metade do esperado historicamente, que é entre 130 e 140 mm”, diz Paulo Etchichury, sócio da Somar Meteorologia.

Ele explica que o mesmo fenômeno climático que retardou a volta da chuva no segundo semestre deste ano, o La Niña, continuará em cena neste verão de 2011, mas com efeito de trazer as precipitações para a média histórica, dentro do “padrão verão”, até abril e maio do ano que vem. Em algumas regiões, como a de Ribeirão Preto, as precipitações podem até superar a média de 170 mm para novembro e atingir até 200 mm.

O fato é que novembro é uma espécie de marco para a retomada do padrão climático no país. “Frentes frias, combinadas com a umidade vinda da Amazônia, começarão a se transformar em chuvas mais frequentes, revertendo esse cenário de seca”, diz Etchichury.

Alguns períodos de estiagem podem voltar a ocorrer no Paraná e em Mato Grosso do Sul durante o verão, alerta o especialista. “Nada comparado ao que ocorreu no inverno. Mas, podemos ter intervalos entre 10 e 20 dias sem chuvas nesses Estados”.

Se o clima se confirmar extremamente positivo para a cultura da cana, a moagem no Centro-Sul pode atingir até 650 milhões de toneladas, diz Júlio Maria Borges, JOB Economia e Planejamento.

Trata-se da previsão mais altista anunciada até agora. Borges pondera que essa estimativa não considera apenas uma possibilidade de clima excelente, mas também a ampliação da área cultivada com cana no Centro-Sul na casa dos 600 mil hectares. “A chuva que vai definir a safra será a que virá até março”, diz Borges.

Em um cenário de clima desfavorável – de seca -, a safra pode empatar com o que deve ser realizado nesta temporada, entre 560 milhões e 570 milhões de toneladas, segundo o economista.

A projeção mais baixista para a safra 2011/12 anunciada até o momento é da consultoria FG/AGRO, de Ribeirão Preto. A empresa prevê no pior cenário de clima uma moagem de 530 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul. No melhor cenário, a FG prevê processamento de 560 milhões de toneladas de cana.

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