Ciência da cana

Geradora do combustível do futuro, de cosméticos altamente qualitativos, insumos agrícolas competitivos, sem nos esquecermos do álcool, açúcar e seus derivados, a cana também gera empregos e energia. Desta forma, não admira que a própria Capes, nas palavras de seu presidente, Renato Janine Ribeiro, em recente evento realizado pela FMRP-USP, sugerisse, publicamente, a criação de um programa de pós-graduação multidisciplinar que enfocasse especificamente a cana, o qual envolveria as ciências humanas (como Sociologia e Psicologia), biológicas e da saúde (como Medicina e Farmácia) e exatas e engenharias (como Química, Física e Engenharia), que pesquisassem desde o genoma às relações de trabalho que envolvem tal produto.

Tal sugestão, em consonância com minha idealização de uma graduação em Engenharia Etanólica ou de Energia Renovável no Campus da USP-RP, não só permitira a realização de estudos científicos da cana, quanto criaria uma grande PPP (Parceria Público Privada) entre universidades privadas, como, por exemplo, a Unaerp, com sua graduação em Engenharia Química e seu doutorado em Biotecnologia, universidades públicas, como, por exemplo, a USP, com todas as suas pesquisas tradicionais e de ponta, e empresas/indústrias regionais envolvidas diretamente na agricultura canavieira, que então criariam, juntas, o embrião do campo de atuação de Ciência e Tecnologia de Ribeirão Preto.

Dessa forma, ao criar seu Cecana (Centro de Estudos da Cana), o município teria seu projeto de economia do futuro, tal qual a Cidade da Bioenergia, preconizada pela prefeitura de São Carlos, que está apoiada pela Embrapa e Abimaq e, adicionalmente, teria, também, sua oportunidade de reverter a perda do Centro de Pesquisas em Etanol que sofreu para Campinas, bem como, de evitar a futura perda da Agrishow para São Carlos, como foi aventado por jornal local recentemente.

Obviamente, a criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia em Ribeirão Preto seria a concretização do órgão estimulador, tanto da implementação, quanto da ativação, deste Centro de Estudos da Cana.

O qual, por sua vez, tornaria Ribeirão Preto um complexo de pesquisa da cana e de seus derivados, tanto para a nação quanto para o mundo, que aperfeiçoaria tecnologias vinculadas a este produto e atrairia investimentos em pesquisa, gerando patentes, empregos e riqueza para todos. Ou seja, o sonho de Maurílio Biagi navegando por mares de inovação nunca antes navegados, ao mesmo tempo em que Ribeirão Preto iniciaria seu real ingresso no século XXI.

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