CerradinhoBio capta R$ 150 milhões com IFC

A CerradinhoBio, controlada da CerradinhoPar e dona de uma usina de etanol no município goiano de Chapadão do Céu, acertou um empréstimo de R$ 150 milhões com o International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos privados do Banco Mundial. O objetivo é complementar o financiamento de seus projetos de expansão de capacidade de moagem e cogeração de energia.

O aporte vem sendo negociado há quase um ano e se soma a um financiamento de R$ 140 milhões contratado em 2014 com o BNDES, dos quais 70% já foram desembolsados. Com o novo aporte, a companhia espera concluir as expansões no início de 2017.

O acordo com o IFC já foi assinado e falta apenas a constituição de garantias, já acordadas, para que os recursos sejam liberados. Entre as garantias estão o compartilhamento da hipoteca da usina com o BNDES e um contrato de energia também compartilhado com o banco. Passado esse trâmite, a expectativa é que o dinheiro entre no caixa até setembro. O prazo de pagamento do empréstimo é de dez anos, com carência de três.

Com os recursos do IFC, a usina instalará uma segunda caldeira, além da atual, para gerar vapor para a produção de energia. No início do ano, foram instalados dois turbogeradores.

Esse passo permitirá que a capacidade instalada de cogeração voltada para comercialização (já desconsiderando o consumo próprio) passe de 70 megawatts (MW) para 160 MW. Por safra, a CerradinhoBio terá capacidade de vender até 850 gigawatts-hora (GWh). Hoje, a companhia pode vender até 400 GWh por safra, mas exportou 269 GWh na última temporada.

A companhia também usará o dinheiro para concluir a ampliação de sua capacidade de moagem, hoje em 5,3 milhões de toneladas de cana por safra, para 6 milhões de toneladas. Dessa forma, a capacidade de produção de etanol saltará para 520 milhões de litros por ciclo, um avanço de 30%.

A expansão em curso faz parte de um plano de investimentos iniciado na safra 2013/14 e que, até a safra passada, totalizou R$ 650 milhões. Naquela temporada, a usina moía no máximo 2,9 milhões de toneladas, com capacidade de produzir até 246 milhões de litros de etanol hidratado e 184 GWh de energia. Nesta safra, o plano é investir R$ 155 milhões, dos quais R$ 55 milhões em cogeração.

Embora o negócio de energia da companhia tenha representado apenas 7% de uma receita bruta de R$ 767 milhões na safra passada, é a área que mais vem absorvendo recursos nesse ciclo de investimentos, ressalta Paulo Motta Júnior, que assumiu a presidência da CerradinhoBio em junho no lugar de Luciano Fernandes, um dos acionistas e atual presidente do conselho de administração.

A aposta no mercado de energia é tamanha que a companhia ainda nem possui tanta biomassa (seja bagaço ou palha de cana) para garantir a produção que a futura capacidade instalada permitirá. Por isso, a companhia vem estudando adquirir outras fontes de biomassa, como eucalipto e sorgo.

O foco em cogeração também se justifica pelos três contratos no mercado regulado em vigência e por dois leilões que a companhia venceu e pelos quais começará a entregar energia a partir de 2019 e 2021. Com esses contratos, a quantidade de energia que a companhia entregará no ambiente regulado passará a representar 90% do total a ser comercializado em 2021, ante 65% na safra passada.

O aumento da venda de energia ao mercado regulado foi uma estratégia de garantir previsibilidade aos resultados da companhia, já que os contratos têm preços indexados à inflação. Segundo Gustavo Oliveira, diretor financeiro da CerradinhoBio, a meta é que mais de 20% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) venha da venda de energia. Atualmente, a cogeração representa até 15% do Ebitda.

Até então, esse forte movimento de investimentos – que abrange também aportes em pesquisa e tecnologia na área agrícola – tem sido em boa parte financiado por BNDES (diretamente ou por repasses de outros bancos) e Finep. Atualmente, cerca de 40% dos R$ 650 milhões da dívida bruta da companhia está na mão do banco de fomento e da financiadora.

Segundo Motta, buscar neste momento um empréstimo no IFC foi uma forma de “diversificar as fontes de financiamento”. O executivo ressaltou que o financiamento pelo braço do Banco Mundial também “confere um selo de boa governança” à companhia.

(Fonte: Valor)

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