Capital internacional já atinge 16 usinas da região

O número de usinas de açúcar e álcool com participação ou controle de capital estrangeiro explodiu nos últimos dois anos na região de Ribeirão Preto. O crescimento foi de 220%, passando de cinco para, ao menos, 16, com base em dados do Ministério da Agricultura.

Isso significa que 27,5% das 58 usinas instaladas na região têm influência de empresas estrangeiras, percentual que supera o registrado no Centro-Sul do país.

De acordo com a Unica (União das Indústrias de Cana-de-Açúcar), 23% das unidades são controladas por capital estrangeiro.

Entre os principais grupos controladores da região estão os franceses Tereos, que adquiriu a maioria das ações das seis usinas da Guarani, e Louis Dreyfus, que assumiu cinco da Santelisa Vale.

Já a formação da joint-venture entre a Cosan e a anglo-holandesa Shell garantiu três usinas, enquanto a Bunge adquiriu a Usina Moema e a Cargill comprou a Cevasa.

Para o empresário Maurilio Biagi Filho, que atua no setor há 54 anos e foi um dos precursores para a presença de capital estrangeiro no país, a internacionalização do setor é uma “realidade positiva”. “Demonstra o interesse do mundo pela cana-de-açúcar, além de apontar para a liquidez do negócio. Mas também compraram usinas porque muitas estavam em situação desfavorável.”

Segundo um estudo da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), as aquisições feitas por grupos estrangeiros no país foram motivadas, principalmente, pela atratividade do setor sucroenergético e a expansão do consumo de etanol no mundo.

Além disso, o alto endividamento e a falta de capital de giro, aliadas à crise internacional, fragilizaram as empresas brasileiras e impactaram negativamente os investimentos internos previstos, favorecendo a aquisição de ativos pelas estrangeiras.

Para Sérgio Prado, representante da Unica na região, a presença de capital externo garante a consolidação e o fortalecimento das usinas brasileiras. “O setor requer novos investidores para que continue avançando e crescendo, e isso passa obrigatoriamente pelo capital estrangeiro”, afirmou.

Para o professor de estratégia da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão, Marcos Fava Neves, a presença de capital externo não anuncia a desnacionalização do setor. “Ainda há muita usina no Brasil nas mãos de famílias brasileiras”, disse.

Biagi Filho disse que as estrangeiras fizeram análise de mercado e identificaram no país a melhor opção.

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