Cana mais produtiva

A RB93757 foi um dos exemplares desenvolvidos pela UFV: adocicada

As inovações têm sido um eficaz propulsor para o setor sucroenergético brasileiro. Prova disso foi que a produtividade média passou das 40 a 50 toneladas de cana por hectare há cerca de 20 a 30 anos e alcança, hoje, no primeiro corte, até 140 t/hectare, de acordo com informações da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais. O teor de sacarose (PCC) na cana também aumentou, o que favorece o rendimento industrial, passando de 13% a 14% nas décadas de 70/80 para os atuais teores de 16% a 17%. Esses avanços, com a modernização das indústrias, favoreceram também o rendimento industrial, passando, no mesmo período, no caso do etanol de uma produção de 4 mil litros/ha para os atuais 7 mil litros/ha.

As pesquisas, segundo a associação, ainda permitem o lançamento de variedades com adaptação em vários tipos de solo, além da melhor época de plantio ou com as características de período útil de industrialização (PUI). As inovações também permitem o plantio de variedades menos suscetíveis a doenças e pragas.

Essa ajuda extra para garantir os ganhos de produtividade são uma conquista dos centros de excelência em pesquisa de novas variedades de cana-de-açúcar, que têm conseguido desenvolver estratégias para a melhor adaptação da cultura da cana-de-açúcar nas diversas regiões do país. O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), formado por 200 unidades associadas, entre usinas e associações de fornecedores de cana-de-açúcar, que representam mais de 12 mil produtores, é um exemplo desse tipo de unidade, que contribui para o aumento da produção. A Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor sucroalcooleiro (Ridesa), formada por universidades federais (UFV, UFPR, UFScar, UFRRJ, UFS, UFAL e UFRPE), também é de extrema importância, uma vez que as variedades desenvolvidas por ela correspondem a cerca de 58% da área plantada no país.

Segundo o engenheiro-agrônomo da Usina Jatiboca de Ponte Nova, na Zona da Mata, José Antônio Gomes, uma experiência bem-sucedida é a do plantio de um maior número de variedades, com cada uma ocupando apenas 15% da área. Outra inovação importante é o desenvolvimento de variedades de melhor brotação, que permitem uma maior longevidade do canavial.

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