Cana-de-açúcar se consolida como potência energética e econômica

A safra de cana-de-açúcar tem se desenvolvido bem no Centro-Sul brasileiro, e estima-se uma moagem de mais de 642 milhões de toneladas, 6,34% a mais que na safra anterior. Serão produzidos, mesmo diante do problema com a seca, 36 milhões de toneladas de açúcar e mais de 28 bilhões de litros de etanol. O clima tem ajudado para a colheita e a produção ocorre a todo vapor. Por esta razão, a safra terminará mais cedo este ano. A demanda interna por etanol tem crescido mensalmente, o que tem dado sustentação aos preços. De igual forma, as exportações de açúcar ainda são o principal instrumento que provoca o equilíbrio financeiro ao setor sucroenergético, apesar de problemas de logísticas nos portos.

A consolidação do setor tem aumentado mês após mês com aquisições e parcerias comerciais, especialmente de grupos estrangeiros. Grandes grupos têm investido no setor, onde tradicionalmente atuavam em outras áreas como grãos e fertilizantes. A Petrobras investe fortemente no setor, inclusive em Goiás. Entre 2007 e 2009 ocorreram mais de 50 fusões e aquisições de usinas no país e o capital estrangeiro tem participação de mais de 23% em todo setor.

No campo da tecnologia, os avanços continuam a passos largos. O diesel de cana é realidade e as pesquisas com a cana energética, para a produção de etanol celulósico, estão bastante avançadas. No campo do melhoramento genético, estudos comprovam possibilidade de aumento de mais de 50% na produção de etanol por hectare de cana. As pesquisas com produção de etanol, por meio de outras matérias-primas, também têm crescido e a Embrapa pesquisa produção do produto por meio da mandioca, do sorgo sacarino, dentre outras fontes.

As usinas têm dado especial atenção à produção de etanol de segunda geração e as mais novas possuem projetos avançados nessa tecnologia, inclusive especialistas cogitam que o etanol de sacarose de cana será desbancando pelo etanol celulósico. A participação da energia renovável na matriz energética brasileira supera os 47%, lembrando que apenas 1% dos combustíveis do mundo é renovável e, destes, 90% é etanol. Segundo estudos recentes, as lavouras de cana-de-açúcar no Brasil têm potencial energético de produção comparado a 13 usinas Itaipu e a cogeração é realidade crescente, até mesmo em usinas tradicionalmente produtoras somente de etanol. A cogeração e a mecanização das lavouras têm garantido mais eficiência às unidades industriais. Unidades em todo Centro-Sul projetam incrementar a produção de etanol por meio do bagaço e da palha.

Ainda no campo da tecnologia, projeta-se que os carros flex terão participação ativa na produção de veículos híbridos movidos a energia elétrica. Por enquanto, o foco é melhorar a tecnologia de motores flex ao mesmo tempo que a viabilidade do carro elétrico é questionada no Brasil. Na área da produção de biocombustíveis, o etanol de alta tecnologia é a grande novidade do momento. Produzido pela Shell, o produto será uma inovação no mercado e deixará de existir somente o etanol hidratado comum, que entrará nos tanques dos carros flex. Porém, também existirá o etanol aditivado, assim como ocorre com a gasolina. Outras pesquisas são inovadoras e a cana-de-açúcar passa a ter utilidades jamais pensadas, como o uso da fibra de cana em curativos de múltiplas funções na área da saúde humana, o uso de cinzas para fabricação de fuselagem de aviões e produção de concreto para a construção civil.

Acredita-se que a produção e demanda de etanol pode dobrar até 2019, e neste ano o consumo tem sido recorde, apesar dos preços altos no início do ano e que voltaram a crescer no início do segundo semestre. Os carros flex representaram em 2010 mais de 90% das vendas de veículos no Brasil. Quanto à logística, o empreendimento mais esperado é o alcooduto do Centro-Oeste. Com a entrada forte da Petrobras nessa região, acredita-se que o projeto pode ser viabilizado de forma mais acelerada. As articulações quanto a isso serão fundamentais para que Goiás ganhe ainda mais mercado, melhores preços e, consequentemente, maior oferta e demanda. Estima-se que a redução nos custos do etanol estará na casa dos 20% a 30%.

Com relação ao biodiesel, que usa etanol como componente, a produção é crescente no Brasil, bem como os incentivos á produção, já que a demanda aumentou pelo uso obrigatório do B5, e mais uma vez a Petrobras entra no negócio. A soja continua como a mais utilizada como matéria-prima na produção e o sebo animal caiu. Neste ano, do total de matéria-prima, 12,9% foi de sebo animal enquanto que no mesmo período de 2009 eram 19% de participação. No mesmo período, a soja passou de 74% para 85,6% em abril. Acredita-se que este ano, o B5 consumirá 7% do total da safra de soja brasileira, o que corresponde a 3,6 milhões de toneladas (1,2 milhão de hectares).

Estima-se que a demanda será de 2,5 bilhões de litros já que o Brasil consome 43 bilhões de litros de óleo diesel. Especialistas afirmam que temos condições de produzir o B10 e que até 2017 a oferta de biodiesel deverá crescer 27,2%. A diversificação de matéria-prima e a inclusão social são os maiores gargalos na produção desse biocombustível.

Não há sombra de dúvidas que a cana-de-açúcar continuará em franco crescimento no país, o que trará grande contribuição para o desenvolvimento dos Estados produtores, bem como ao país inteiro.

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