Cana-de-açúcar mostra boa produtividade no Cerrado

A cana-de-açúcar no Cerrado poderá ter produtividade semelhante à das áreas de lavouras tradicionais. Isso é o que apontam os primeiros resultados de uma pesquisa da Embrapa Cerrados que avalia diversos aspectos da cultura na região, considerada de expansão do setor sucroalcooleiro.

O projeto, que se iniciou no ano passado, aponta números acima da expectativa em algumas localidades do bioma que ainda não são produtoras. No primeiro ciclo da cana (“cana-planta”), a produtividade ficou acima das 100 toneladas por hectare, semelhante à das regiões tradicionais.

O estudo avalia a produtividade e adaptação de cultivares indicadas para outras regiões produtoras e usadas comercialmente. As cultivares estão sendo avaliadas no Mato Grosso do Sul, Maranhão, Tocantins e Goiás. Elas foram plantadas em condições de sequeiro e com a adoção de técnicas convencionais usadas nas regiões produtoras.

O pesquisador Adeliano Cargnin explica que o primeiro ciclo da cana normalmente apresenta produtividade superior, como o que ocorreu nas primeiras avaliações. “Nossa expectativa é que a redução seja pequena para os próximos ciclos”, explica.

Além da avaliação de cultivares, o trabalho da Embrapa Cerrados com a cana-de-açúcar envolve o manejo da água e do solo e também a preocupação com os impactos socioeconômicos e ambientais.

No caso da correção do solo e adubação, foram instalados experimentos que avaliam respostas a doses de calcário, gesso e a fontes e dose de fósforo e nitrogênio.

Ao todo, serão realizadas 48 atividades de pesquisa em campo e laboratório, envolvendo quatro unidades da Embrapa, com 20 experimentos de campo.

Segundo o pesquisador Thomaz Rein, que coordena a pesquisa, a ideia é avaliar a reação da planta às particularidades da região, que tem seca mais prolongada e solo mais pobre do que as ocupadas tradicionalmente pelo setor.

Assim será possível fazer recomendações direcionadas ao produtor que começa a investir na cultura na região. “A expansão da cana-de-açúcar está ocorrendo e precisamos dar nossa contribuição no processo”, avalia.

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