Cana-de-açúcar limitada em Jataí/GO

A soja e o milho são os principais produtos da safra de verão no município de Jataí, região sudoeste de Goiás. A área plantada ocupa 240 mil hectares, mas uma nova cultura está ganhando espaço no município. Com a implantação de uma usina de álcool há dois anos, a cana de açúcar é mais uma opção para o produtor rural. O problema é que parte dos agricultores é contra o avanço da cana em área de grãos.

“Em todas as regiões que a cana entrou a gente tem observado o domínio dela em toda a área e não é isso que a gente quer para a nossa região. A monocultura fica nas mãos de um ou de poucos, como é o caso das usinas. Põem três, quatro usinas no município, tomam conta do município e isso é ruim”, disse Claudio Luiz Diniz, produtor rural.

A lei que regul amenta o Plano Diretor Agrícola foi aprovada em dezembro pela câmara municipal e sancionada pelo prefeito. A lei limita o plantio da área de cana-de-açúcar em 50 mil hectares. Além disso, a partir de agora, o produtor que quiser ampliar a área de cana, terá que pedir autorização a um conselho formado por representantes da prefeitura, dos vereadores, da indústria e dos próprios agricultores. A instalação de novas usinas só poderá ser aprovada por meio de audiência pública.

“A cana-de-açúcar é muito importante, mas temos que saber o alimento também é muito importante”, afirmou Carlos Miranda, Secretário da Agricultura de Jataí/GO.

A lei entrou em vigor, mas há produtores como Sérgio Ribas que não estão satisfeitos. Ele foi um dos pioneiros do plantio da cana no município. Começou em 2007, com 100 hectares e sua plantação agora já tem 500 hectares.

“O que pesa é o fator econômico. Você tem uma coisa que vai te remunerar mais, mas você não vai fazer uma coisa em det rimento de outra. A gente toma essas decisões, por exemplo, tem hora que plantamos mais soja que milho, tem hora que plantamos mais milho que soja e isso acontece em função da viabilidade econômica da produção”, argumentou o produtor rural.

No momento existe apenas uma usina em funcionamento no município. Ela absorve a produção de 30 mil hectares de canaviais próprios e de agricultores da região, mas outras três usinas já estão em processo de implantação no município.

O gerente da usina João Saccomano, que já está operando no município, comentou a nova lei. “O que não pode ser feito é inibir a iniciativa do produtor rural, que deve ter o direito de escolher a cultura que ele tenha mais resultado com ela. O plano não restringe esta unidade hoje. Para a expansão no futuro, logicamente, nós temos que olhar como isso vai nos afetar”.

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