Cana-de-açúcar – algumas reflexões

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1. A Crise: Tivemos nos últimos anos grande mudança estrutural no segmento, que alterou significativamente o perfil cultural e corporativo da indústria sucroalcooleira energética, com a entrada de grupos estrangeiros poderosos e também a chegada da indústria petrolífera. Infelizmente duas para três safras de cana desastrosas impediram que estas mudanças provocassem os efeitos esperados. O momento mais difícil da crise foi sem dúvida esta safra que agora se encerra. Isto porque o setor vinha de um ano extremamente difícil, operacional e financeiramente, com uma quebra de safra enorme. Com isto, a “travessia da ponte” que ocorreu nesta safra, foi complicada mas serviu para muitos ensinamentos.

2. A safra 2013/14: Ainda vai ser um ano difícil nesta safra que entra e algumas empresas que estão com dificuldades financeiras vão ter que tomar um caminho radical de venda ou fechamento para não “quebrarem”. No entanto uma safra certamente maior vai trazer possibilidades de “saída do buraco” para as empresas que estejam profissionalizadas e preparadas para um novo momento. Os primeiros números para a produção de cana no Centro-Sul, embora prematuros, apontam para uma subida (contra as cerca de 535 milhões de toneladas que foram processadas nesta safra) ao nível de 580 a 590 milhões de toneladas.

3. Os preços e resultados: Vamos começar a safra com preços baixos, particularmente para o açúcar, onde a Bolsa de NY deve oscilar entre 18 e 21 cts/lb, tudo correndo dentro do esperado no mercado global. A grande expectativa de um ano melhor fica com a certeza de um aumento no preço interno dos combustíveis, em particular a gasolina, que vai trazer a possibilidade de um reajuste dos valores de venda do etanol, tanto o anidro como o hidratado. No caso do açúcar, uma não tão improvável depreciação do Real, auxiliaria as receitas das vendas para exportação. O mundo está com um estoque de açúcar bastante alto, em função de uma queda da demanda causada pela crise econômica e boas produções em outros países, particularmente a Índia e a Rússia. Isto pode não se repetir este ano, propiciando um aumento gradual dos preços do açúcar brasileiro. A produção de cana-de-açúcar tende a aumentar, até como conseqüência de replantio adequado, realizado este ano, bem como entrada de algumas áreas novas que substituíram a cultura da laranja no Estado de São Paulo.

4. O setor e o Governo: O Governo pode contribuir com o setor dando-lhe maior segurança em termos de regulação. Isto vai desde o ponto mais óbvio que refere-se à ANP e sua política de uso do etanol combustível, até a questão complexa da aquisição de terras rurais por empresas estrangeiras. Os participantes diretos do setor, usineiros, produtores de cana e indústria de bens de capital tem que se unir de uma vez por todas para fazer um trabalho conjunto em termos de representatividade institucional. O setor precisa recuperar sua credibilidade, urgentemente, para voltar a atrair investimentos. O BNDES faz sua parte, é bom que se diga. Linhas de crédito foram destinadas para plantio e replantio de cana-de-açúcar e para a estocagem de etanol a custo competitivo. O grande problema é que estas linhas são repassadas por bancos comerciais que exigem contrapartidas em termos de garantias que a maior parte do setor não está em condições de oferecer.

5. O futuro: O açúcar continua a ser a fonte de energia alimentar mais barata que se encontra no mundo. O etanol é um combustível limpo e já temos uma frota de carros flex necessitada de suprimento muitas vezes maior do que nossa capacidade de produção. A cogeração de energia elétrica a partir da biomassa vai ser uma realidade mais cedo ou mais tarde. O setor está se profissionalizando rapidamente e com um nível interessante de concentração em mãos fortes. O que mais é preciso para este setor ser bem sucedido? Persistir, é nossa resposta.

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