Câmbio pressiona e provoca alta nos preços ao produtor

A desvalorização cambial voltou a pressionar o Índice de Preços ao Produtor (IPP) em janeiro, que subiu 0,56% no mês após dois meses de queda do indicador que mede a variação dos preços dos produtos na porta de fábrica, sem impostos e fretes, na indústria de transformação e extrativa. Em dezembro, a queda foi de 0,35%, segundo o IBGE. No acumulado em 12 meses, o IPP soma alta de 9,86%.

Na avaliação do gerente do IPP, Alexandre Brandão, a volta do índice para o campo positivo indica que os produtores, mesmo com a demanda em queda, conseguiram repassar pelo menos parte do aumento de custos. Entre dezembro e janeiro, o dólar ficou 4,7% mais caro, de acordo com o IBGE. “Os produtores ficam num jogo de ajustes”, disse o pesquisador. De um lado a matéria-prima fica mais cara com a desvalorização cambial e do outro, o consumidor está com menor poder de consumo.

Isso aconteceu em alguns bens de consumo duráveis como automóveis e móveis de madeira, que subiram em janeiro ante dezembro. Camas de madeira e poltronas e sofás de madeira são produtos atrelados ao câmbio, ressalta Brandão. Houve também influencia do dólar em produtos de consumo não duráveis, como óleo de soja e sucos concentrados de laranja.

O grupo de bens de consumo subiu 0,86% no mês – alta de 1,43% em bens duráveis e de 0,68% em semiduráveis e não duráveis. Foi o maior impacto do IPP em janeiro – 0,30 ponto percentual. O IPP também mediu a variação de preços ao produtor de 2,36% em bens de capital em janeiro e 0,11% em bens intermediários.

Além do dólar mais caro, alguns produtos como o açúcar cristal também subiram influenciados pelo mercado interno. Segundo Brandão, com a alta da gasolina muitos usineiros deixaram de produzir o alimento para se dedicar à fabricação de etanol, pressionando o preço do açúcar.

Fonte: (Valor)

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