Cadeia produtiva de açúcar e álcool vai apelar ao governo

Assim como anunciado pelos produtores de grãos na semana passada, o setor sucroalcooleiro e a indústria de base fornecedora do segmento estão traçando o mapa de suas necessidades para buscar a ajuda do governo federal diante do cenário da crise financeira mundial.

O documento deve ser apresentado ao governo esta semana, provavelmente na quarta-feira. A junção de agendas dos elos da cadeia tem como objetivo organizar e fortalecer a ofensiva para a busca de soluções, entre elas, para a retomada do fluxo de crédito. Antes do estouro da crise financeira, muitas usinas já estavam endividadas por conta dos dois últimos anos ruins e de preços baixos do açúcar e etanol.

Na última sexta-feira, durante reunião de representantes do setor em Sertãozinho (SP), organizado pela Brasilagro, o gerente de biocombustíveis do BNDES, Paulo Favere, afirmou que há um esforço concentrado do banco para atender às necessidades dos projetos do setor que já foram aprovados e dependem da contratação de recursos.

“Essa é a ação que o BNDES vem fazendo no curtíssimo prazo. No médio prazo, dependerá das reivindicações que forem apresentadas pelo segmento ao banco e de negociações que forem feitas junto ao governo federal”, avaliou. Favere lembrou que na semana anterior foram liberados recursos para dois projetos de grande porte e também disse que ainda não há nenhum sinal de inadimplência por parte dos tomadores de crédito.

“Em meio a uma crise como esta todo mundo está sujeito, mas não há nenhum sinal de inadimplência até agora”, afirmou. Até setembro deste ano, o banco liberou R$ 4 bilhões para o setor, mais do que em 2007, quando a verba liberada foi de R$ 3,7 bilhões. Em 2004, o montante de recursos destinados ao setor chegou a R$ 600 milhões.

Atualmente, o departamento de biocombustíveis do BNDES tem sob sua alçada 78 projetos de grande porte, tanto para expansão de unidades como para construção de novas plantas. Desse total, 27 usinas entraram em operação em 2007, outras 27 deveriam iniciar os trabalhos neste ano e, para 2009 e 2010, há previsão de as 24 unidades restantes começarem a operar. “Esses projetos tem parte dos recursos garantidos e, outra parte, muito provavelmente certos.” A participação do setor nos desembolsos totais feitos pelo banco subiu consideravelmente nos últimos anos. Até metade deste ano, o segmento abocanhou 5,6% da verba total concedida a projetos, enquanto que em 2004 a fatia foi de 1,2%.

Incertezas – Há ainda um clima de bastante incerteza para os representantes de elos do segmento, em relação ao real tamanho das dimensões da crise para o setor. O diretor da Unica, Sérgio Prado, presente ao evento, ilustrou que o momento é de cautela e acrescentou que um processo de concentração do setor, já esperado, por meio de fusões e aquisições, pode ocorrer mais rapidamente diante deste cenário.

De acordo com expectativas do mercado, os atuais 200 grupos que formam o setor sucroalcooleiro brasileiro podem cair para 100 em cerca de 15 ou 20 anos. Os investidores estrangeiros têm o controle de 7% das empresas do setor atualmente. O diretor da Unica informou aos participantes do evento sobre o documento que será entregue ao governo pelos representantes do segmento nesta semana.

O empresário Maurílio Biagi, presidente do Grupo Maubisa, acredita que talvez o setor sucroalcooleiro seja mais atingido do que os outros pela crise financeira por conta do volume de investimentos que recebeu nos últimos anos devido ao boom do etanol e da demanda por energia renovável. No entanto, lembra, hoje o setor enfrenta um quadro de fundamentos melhor do que no ano passado. “Há um ano atrás o quadro era muito pior do que o de hoje. O câmbio está mais favorável para quem exporta e os preços do etanol no mercado interno estão muito firmes”, avaliou Biagi. Além disso, com estoques apertados para a entressafra, espera-se reação de preços do combustível.

O açúcar também tem quadro favorável, sobretudo no mercado externo, com queda de produção da Índia.

“Os fundamentos para o setor estão normais, embora a questão do crédito seja séria. No entanto, se soubesse os efeitos dessa crise me candidataria a um prêmio Nobel. Nossa esperança é que o pacote norte-americano seja suficiente para reduzir os efeitos dessa crise”, disse.

Cadeia produtiva de açúcar e álcool vai apelar ao governo

Assim como anunciado pelos produtores de grãos na semana passada, o setor sucroalcooleiro e a indústria de base fornecedora do segmento estão traçando o mapa de suas necessidades para buscar a ajuda do governo federal diante do cenário da crise financeira mundial.

O documento deve ser apresentado ao governo esta semana, provavelmente na quarta-feira. A junção de agendas dos elos da cadeia tem como objetivo organizar e fortalecer a ofensiva para a busca de soluções, entre elas, para a retomada do fluxo de crédito. Antes do estouro da crise financeira, muitas usinas já estavam endividadas por conta dos dois últimos anos ruins e de preços baixos do açúcar e etanol.

Na última sexta-feira, durante reunião de representantes do setor em Sertãozinho (SP), organizado pela Brasilagro, o gerente de biocombustíveis do BNDES, Paulo Favere, afirmou que há um esforço concentrado do banco para atender às necessidades dos projetos do setor que já foram aprovados e dependem da contratação de recursos.

“Essa é a ação que o BNDES vem fazendo no curtíssimo prazo. No médio prazo, dependerá das reivindicações que forem apresentadas pelo segmento ao banco e de negociações que forem feitas junto ao governo federal”, avaliou. Favere lembrou que na semana anterior foram liberados recursos para dois projetos de grande porte e também disse que ainda não há nenhum sinal de inadimplência por parte dos tomadores de crédito.

“Em meio a uma crise como esta todo mundo está sujeito, mas não há nenhum sinal de inadimplência até agora”, afirmou. Até setembro deste ano, o banco liberou R$ 4 bilhões para o setor, mais do que em 2007, quando a verba liberada foi de R$ 3,7 bilhões. Em 2004, o montante de recursos destinados ao setor chegou a R$ 600 milhões.

Atualmente, o departamento de biocombustíveis do BNDES tem sob sua alçada 78 projetos de grande porte, tanto para expansão de unidades como para construção de novas plantas. Desse total, 27 usinas entraram em operação em 2007, outras 27 deveriam iniciar os trabalhos neste ano e, para 2009 e 2010, há previsão de as 24 unidades restantes começarem a operar.

“Esses projetos tem parte dos recursos garantidos e, outra parte, muito provavelmente certos.” A participação do setor nos desembolsos totais feitos pelo banco subiu consideravelmente nos últimos anos. Até metade deste ano, o segmento abocanhou 5,6% da verba total concedida a projetos, enquanto que em 2004 a fatia foi de 1,2%.

Incertezas

Há ainda um clima de bastante incerteza para os representantes de elos do segmento, em relação ao real tamanho das dimensões da crise para o setor. O diretor da Unica, Sérgio Prado, presente ao evento, ilustrou que o momento é de cautela e acrescentou que um processo de concentração do setor, já esperado, por meio de fusões e aquisições, pode ocorrer mais rapidamente diante deste cenário.

De acordo com expectativas do mercado, os atuais 200 grupos que formam o setor sucroalcooleiro brasileiro podem cair para 100 em cerca de 15 ou 20 anos. Os investidores estrangeiros têm o controle de 7% das empresas do setor atualmente. O diretor da Unica informou aos participantes do evento sobre o documento que será entregue ao governo pelos representantes do segmento nesta semana.

O empresário Maurílio Biagi, presidente do Grupo Maubisa, acredita que talvez o setor sucroalcooleiro seja mais atingido do que os outros pela crise financeira por conta do volume de investimentos que recebeu nos últimos anos devido ao boom do etanol e da demanda por energia renovável.

No entanto, lembra, hoje o setor enfrenta um quadro de fundamentos melhor do que no ano passado. “Há um ano atrás o quadro era muito pior do que o de hoje. O câmbio está mais favorável para quem exporta e os preços do etanol no mercado interno estão muito firmes”, avaliou Biagi. Além disso, com estoques apertados para a entressafra, espera-se reação de preços do combustível.

O açúcar também tem quadro favorável, sobretudo no mercado externo, com queda de produção da Índia. “Os fundamentos para o setor estão normais, embora a questão do crédito seja séria. No entanto, se soubesse os efeitos dessa crise me candidataria a um prêmio Nobel. Nossa esperança é que o pacote norte-americano seja suficiente para reduzir os efeitos dessa crise”, disse.

O setor sucroalcooleiro e sua indústria de base vão encaminhar nesta semana ao governo federal as suas reivindicações para buscarem financiamento diante do cenário da crise financeira mundial. Na última sexta-feira, durante reunião de representantes do setor em Sertãozinho (SP), o gerente de biocombustíveis do BNDES, Paulo Faveret, afirmou que há um esforço concentrado do banco para atender às necessidades dos projetos do setor que já foram aprovados e dependem da contratação de recursos. Até setembro deste ano, o banco liberou R$ 4 bilhões para o segmento.

Segundo o diretor da Unica, Sérgio Prado, um processo de concentração já é esperado, por meio de fusões e aquisições. Os atuais 200 grupos que formam o setor sucroalcooleiro brasileiro podem cair para 100, em 15 ou 20 anos.

Os investidores estrangeiros têm hoje de 7% das empresas do setor. Para Maurílio Biagi, presidente do Grupo Maubisa, o setor sucroalcooleiro será mais atingido do que os outros pela crise financeira por conta do volume de investimentos que recebeu nos últimos anos, devido ao boom do etanol e da demanda por agroenergia. No entanto, lembra, hoje o setor enfrenta um quadro de fundamentos melhor do que no ano passado.

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